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Evo, o mascote do EvoMedDiretriz de sociedade médica

Diretrizes SBP 2026 de Reanimação Neonatal

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), pelo Programa Brasileiro de Reanimação Neonatal, publicou em 12 de junho de 2026 a diretriz "Reanimação do recém-nascido ≥34 semanas em sala de parto", válida para o ciclo 2026-2030. Veja o que o documento recomenda — e por que reanimação neonatal é um dos temas de maior rendimento em prova de residência.

Por que isso importa: o tamanho do problema no Brasil

Reanimação neonatal não é um procedimento raro. A própria diretriz estima que, dos cerca de 2,4 milhões de nascimentos anuais no Brasil, aproximadamente 480 mil crianças precisam de algum tipo de ajuda para iniciar e manter a respiração ao nascer — cerca de 1 em cada 10 recém-nascidos (RN) precisa de ventilação com pressão positiva (VPP), 1 em cada 100 precisa de intubação traqueal, e 1 a 3 em cada 1.000 precisam de reanimação avançada (ventilação com massagem cardíaca e/ou medicações).

  • Nascimentos no Brasil em 2023

    2.537.576

  • Óbitos neonatais (0-27 dias) em 2023

    21.582

  • Óbitos neonatais precoces associados à asfixia perinatal

    20% (3.109 de 15.933)

  • RN que precisam de alguma ajuda para respirar ao nascer

    cerca de 2 em cada 10

O que a diretriz 2026 recomenda, passo a passo

1

Clampeamento do cordão e contato pele a pele

No RN com boa vitalidade (respirando ou chorando, com tônus em flexão), o clampeamento do cordão é recomendado após, no mínimo, 60 segundos do nascimento, preferencialmente depois do início da respiração — com contato pele a pele imediato, RN coberto por tecido seco e aquecido, mantendo a normotermia (36,5-37,5°C) e estimulando a amamentação na primeira hora. Se o RN não tiver boa vitalidade, a diretriz recomenda um estímulo tátil breve (cerca de 15 segundos) no dorso ainda com o cordão intacto, antes de decidir o clampeamento — uma tentativa de deixar o suporte placentário ajudar a desencadear a respiração espontânea.

2

O Minuto de Ouro: quando e como iniciar a VPP

Se o RN permanecer em apneia, com respiração irregular e/ou frequência cardíaca (FC) <100 bpm, a ventilação com pressão positiva (VPP) por máscara facial — chamada pela diretriz de "o passo mais importante" da reanimação — deve começar nos primeiros 60 segundos de vida (o "Minuto de Ouro"). Para RN ≥34 semanas, a VPP é iniciada com ar ambiente (oxigênio a 21%), com o ajuste de concentração de O2 guiado pela oximetria de pulso a partir daí — não com oxigênio a 100% de entrada.

3

Monitorização: FC é o parâmetro que manda

A frequência cardíaca é o principal parâmetro para decidir a conduta durante toda a reanimação, avaliada inicialmente por auscultação do precórdio. A partir do momento em que a VPP é indicada, o monitor cardíaco passa a ser obrigatório (pra detecção rápida e contínua da FC) e a oximetria de pulso também se torna obrigatória, com o sensor posicionado no pulso radial direito (posição pré-ductal) — a diretriz lembra que a transição é gradual e a SpO2 só atinge ≥90% entre 5 e 10 minutos de vida, então não é esperado nem motivo de pânico ver saturação baixa logo nos primeiros minutos.

4

Massagem cardíaca: técnica e proporção

Indicada quando a FC permanece <60 bpm mesmo depois de VPP com ventilação eficaz (por cânula traqueal, com O2 a 100%). A técnica recomendada é a dos dois polegares, coordenada com a ventilação na proporção de 3:1 — ou seja, 90 compressões e 30 ventilações por minuto. A FC é reavaliada depois de 60 segundos de massagem; se já estiver >60 bpm, as compressões são interrompidas, mantendo o suporte ventilatório conforme a necessidade.

5

Adrenalina: dose, via e quando usar

Indicada se a FC continuar <60 bpm mesmo após VPP por cânula traqueal com O2 a 100% associada a massagem cardíaca adequada por pelo menos 60 segundos. A via de eleição é a intravascular (veia umbilical), na dose de 0,02 mg/kg (0,2 mL/kg da adrenalina diluída a 0,1 mg/mL); a via endotraqueal pode ser usada uma única vez enquanto o acesso venoso está sendo providenciado. Em caso de suspeita de hipovolemia (perda de sangue ou sinais de choque), o expansor de volume recomendado é o soro fisiológico.

6

Quando discutir a interrupção da reanimação

Se o RN não responder às manobras avançadas (VPP associada a massagem cardíaca e medicações), a diretriz sugere discutir a interrupção dos procedimentos 20 minutos depois do nascimento. Já a decisão de NÃO iniciar a reanimação exige certeza clínica ou oportunidade real de ter discutido o desejo da família antes — na ausência dessa certeza, todos os procedimentos necessários devem ser realizados.

Alvo de saturação pré-ductal por minuto de vida

Sensor de oximetria no pulso radial direito (posição pré-ductal). A transição da circulação fetal para a neonatal é gradual — a SpO2 só atinge valores ≥90% entre 5 e 10 minutos após o nascimento:

2 min

65-70%

3 min

70-75%

4 min

75-80%

5 min

80-85%

10 min

85-95%

O que isso significa — e o que não significa

1

Isto é a diretriz de uma sociedade médica brasileira — já vigente, não um estudo isolado

Diferente de um ensaio clínico único, este é um documento de prática clínica da Sociedade Brasileira de Pediatria (Programa Brasileiro de Reanimação Neonatal), construído a partir dos Consensos ILCOR 2021-2025 e de uma reunião de consenso nacional em dezembro de 2025, com coordenadores estaduais do PRN-SBP de todo o país. Já é a diretriz vigente — substitui o ciclo anterior (2022) e vale para o período 2026-2030 — e, por isso, as recomendações aqui podem (e devem) orientar a prática na sala de parto, diferente de um achado de pesquisa isolado que ainda precisa de confirmação.

2

Este post cobre só o documento de RN ≥34 semanas

A SBP publicou dois documentos no mesmo ciclo 2026: um para recém-nascidos com 34 semanas ou mais de idade gestacional (a maioria dos nascimentos) e outro, específico, para prematuros com menos de 34 semanas — que tem particularidades próprias (ex.: parâmetros ventilatórios e cuidados térmicos diferentes) não cobertas aqui. Não generalize o conteúdo deste post para a reanimação de um prematuro extremo.

3

O documento não lista explicitamente "o que mudou desde 2022"

O PDF oficial não traz uma seção comparando recomendação por recomendação com a versão anterior do programa. Por isso, este post apresenta o conteúdo como "o que a diretriz 2026, atualmente vigente, recomenda" — e não como uma lista de mudanças pontuais em relação a 2022, para não afirmar algo que o próprio documento não declara.

Pra quem estuda residência: os conceitos por trás da diretriz

Entender a lógica por trás de cada número ajuda mais do que memorizar valores isolados:

Por que "ar ambiente" e não oxigênio a 100% de entrada

Começar a VPP do RN ≥34 semanas com ar ambiente (21% de O2) e titular pela oximetria evita a hiperóxia, que está associada a maior estresse oxidativo e pior desfecho em estudos de reanimação neonatal — é um princípio consolidado desde ciclos anteriores do ILCOR e segue valendo na diretriz 2026. É só no prematuro (documento irmão, não coberto aqui) que a estratégia de oxigênio inicial muda.

Minuto de Ouro: por que o relógio começa a contar

O "Minuto de Ouro" é a janela dos primeiros 60 segundos de vida dentro da qual, se o RN não estabelecer respiração espontânea e adequada, a VPP deve estar em curso. É um conceito central de prova porque cobra noção de prioridade temporal: antes de pensar em máscara laríngea, intubação ou adrenalina, o primeiro ponto de decisão é sempre "já estou ventilando adequadamente dentro do primeiro minuto?".

Alvo de saturação pré-ductal: uma régua que sobe com o tempo, não um número fixo

Diferente da falsa impressão de que "toda SpO2 baixa ao nascer é patológica", a diretriz formaliza que a transição da circulação fetal para a neonatal é gradual: os alvos de SpO2 pré-ductal (sensor no pulso radial direito) sobem minuto a minuto — de 65-70% aos 2 minutos até 85-95% aos 10 minutos. Interpretar a oximetria sem essa régua é um erro comum tanto na prova quanto na prática.

Proporção 3:1 na massagem cardíaca neonatal — por que é diferente do adulto

Na reanimação do recém-nascido, a massagem cardíaca é sempre coordenada com a ventilação numa proporção fixa de 3 compressões para 1 ventilação (90 compressões e 30 ventilações por minuto), bem diferente das proporções usadas na reanimação cardiopulmonar do adulto. Isso reflete a fisiopatologia: na maioria das paradas neonatais a causa de base é respiratória/hipóxica, não primariamente cardíaca — por isso a ventilação nunca é interrompida durante as compressões.

Sobre a publicação

Almeida MFB, Guinsburg R; Coordenadores Estaduais do PRN-SBP; Grupo Executivo do PRN-SBP; Departamento de Neonatologia da SBP. "Reanimação do recém-nascido ≥34 semanas em sala de parto: diretrizes 2026 da Sociedade Brasileira de Pediatria." Rio de Janeiro: SBP, 2026. Publicado em 12 de junho de 2026. DOI 10.25060/PRN-SBP-2026-1, texto completo disponível em sbp.com.br/especiais/reanimacao. Baseado nos Consensos em Ciência e Recomendações Terapêuticas do International Liaison Committee on Resuscitation (ILCOR) publicados entre 2021 e 2025 e na Reunião de Consenso do Programa Brasileiro de Reanimação Neonatal de 10 de dezembro de 2025. Substitui o ciclo anterior (2022) do mesmo programa e vale para o período 2026-2030. Este post cobre apenas o documento referente ao recém-nascido com 34 semanas ou mais de idade gestacional — existe um documento específico, separado, para o prematuro com menos de 34 semanas, não abordado aqui. Conteúdo educacional geral; não substitui o protocolo institucional nem o treinamento formal em reanimação neonatal.

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