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Pré-eclâmpsia na residência: o que mudou em 2025–2026 e o que mais cai
Pré-eclâmpsia exige reconhecer o diagnóstico, os sinais de deterioração e a finalidade de cada tratamento. Este guia reúne pontos da RBEHG 2025 e o posicionamento conjunto da RBEHG com a Comissão Nacional Especializada de Hipertensão na Gestação da FEBRASGO, de março de 2026. Para estudar na graduação, no internato, na residência, no Revalida e ao longo da prática médica.
Em resumo
- Pré-eclâmpsia é hipertensão após 20 semanas com proteinúria ou disfunção de órgão-alvo ou uteroplacentária. Proteinúria não é obrigatória e edema não é critério.
- A RBEHG não usa mais “leve” e “grave”: o que importa são os sinais de gravidade.
- Sulfato de magnésio previne convulsão, mas não baixa a pressão; a crise hipertensiva se trata com hidralazina ou nifedipino.
- Prevenção nas gestantes com indicação: AAS 100 mg à noite, de 12 a 36 semanas, segundo a RBEHG 2025. O posicionamento conjunto de março de 2026 retirou a recomendação de cálcio para essa finalidade.
Diagnóstico de pré-eclâmpsia: proteinúria não é obrigatória
Em gestante previamente normotensa, considere PAS ≥ 140 mmHg e/ou PAD ≥ 90 mmHg, em duas aferições com pelo menos 4 horas de intervalo, associadas, após 20 semanas, a um dos achados abaixo. Na hipertensão acentuada, a reavaliação é rápida: não se espera 4 horas para tratar uma crise.
- Proteinúria significativa: relação proteína/creatinina urinária ≥ 0,3 mg/mg ou ≥ 300 mg em 24 horas.
- Disfunção de órgão-alvo: plaquetas abaixo de 150.000/mm³, TGO ou TGP acima de 40 UI/L, creatinina ≥ 1 mg/dL, edema pulmonar ou sintomas neurológicos.
- Disfunção uteroplacentária: restrição de crescimento fetal e/ou alterações da dopplervelocimetria sugestivas de insuficiência placentária.
Edema isolado não é critério diagnóstico. A quantidade de proteinúria não define gravidade nem, sozinha, o momento do parto. Na hipertensão crônica, investigue pré-eclâmpsia sobreposta quando surgem disfunção orgânica, insuficiência placentária ou proteinúria nova; a elevação da PA isolada não basta para confirmar a sobreposição.
Sinais de gravidade: quando a avaliação deve ser imediata
- Crise hipertensiva: PA ≥ 160 e/ou ≥ 110 mmHg persistente por 15 minutos (basta um componente).
- Iminência de eclâmpsia: cefaleia persistente, escotomas, epigastralgia ou dor em hipocôndrio direito, hiperreflexia.
- Eclâmpsia, HELLP, edema pulmonar, oligúria, plaquetopenia ou piora laboratorial.
Tratamento: crise hipertensiva e sulfato de magnésio
A crise hipertensiva exige tratamento e monitorização materna e fetal em serviço de saúde. As opções de primeira linha são hidralazina IV e nifedipino oral de liberação imediata. Não use nifedipino sublingual nem mastigue o comprimido. A dose e a repetição devem seguir o protocolo assistencial, com reavaliações da pressão e da resposta clínica.
O sulfato de magnésio entra na iminência de eclâmpsia, na eclâmpsia, na HELLP, na crise hipertensiva e na deterioração clínica ou laboratorial. No esquema de Zuspan são 4 g IV de ataque e 1 g/h de manutenção, mantidos por 24 horas após o parto ou a última convulsão, considerando o evento mais recente. Durante o uso, monitore reflexo patelar presente, frequência respiratória ≥ 16 irpm e diurese ≥ 25 mL/h. A função renal e os sinais de toxicidade orientam os ajustes e a eventual suspensão da manutenção. O antídoto é o gluconato de cálcio a 10%, 1 g IV lento.
Síndrome HELLP
HELLP reúne hemólise, elevação de enzimas hepáticas e plaquetopenia. O protocolo específico de HELLP da RBEHG 2025 descreve marcadores de hemólise como DHL > 600 UI/L (ou mais de duas vezes a referência), bilirrubina indireta ≥ 1,2 mg/dL, haptoglobina < 25 mg/dL e alterações no esfregaço. Para comprometimento hepático, AST/ALT > 70 UI/L ou ≥ 2 vezes o limite superior do laboratório; para confirmar HELLP, plaquetas < 100.000/mm³.
Não confunda esse limite de plaquetas com o critério de disfunção hematológica na pré-eclâmpsia (abaixo de 150.000/mm³). A síndrome pode ocorrer sem hipertensão ou proteinúria. O manejo inclui estabilização materna, sulfato de magnésio e avaliação da resolução da gestação; a via de parto depende das condições obstétricas.
Fonte: protocolo específico de síndrome HELLP, RBEHG 2025, seção de parâmetros laboratoriais.
Prevenção: o que mudou em 2026
Basta um fator de alto riscopara indicar AAS: pré-eclâmpsia anterior, gestação múltipla, obesidade (IMC > 30), hipertensão crônica, diabetes tipo 1 ou 2, doença renal, lúpus ou síndrome antifosfolípide e gestação por reprodução assistida. Fatores moderados(nuliparidade, idade ≥ 35 anos, história familiar, intervalo entre gestações > 10 anos) indicam AAS quando há dois ou mais.
O esquema é AAS 100 mg à noite, a partir de 12 semanas (idealmente antes de 16) e até 36 semanas, conforme avaliação e prescrição no pré-natal. A atividade física deve ser individualizada, respeitando contraindicações obstétricas. A dose de AAS pode variar entre diretrizes: identifique a referência adotada pela questão ou pelo serviço.
Cálcio em março de 2026: o que mudou e o que não se pode concluir
Em documento assinado em 28 de março de 2026, RBEHG e CNE de Hipertensão na Gestação da FEBRASGO deixaram de recomendar cálcio para prevenir pré-eclâmpsia, após reavaliarem as evidências. O texto admite sua prescrição por outras indicações.
A Nota Técnica Conjunta nº 251/2024 do Ministério da Saúde foi publicada com a prevenção de pré-eclâmpsia entre suas finalidades. Portanto, é incorreto dizer que a suplementação do SUS se destinava apenas a outra finalidade. O posicionamento das sociedades não revoga automaticamente uma orientação ministerial: são documentos de autoridades diferentes.
Em questões antigas, confira o ano e a referência do enunciado. Um gabarito com cálcio pode refletir a orientação vigente à época; para o estudo atual, registre a mudança e sua autoria.
Perguntas frequentes
Proteinúria é obrigatória para diagnosticar pré-eclâmpsia?
Não. Em gestante previamente normotensa, hipertensão após 20 semanas associada a disfunção de órgão-alvo ou uteroplacentária pode estabelecer o diagnóstico, mesmo sem proteinúria. Edema isolado não é critério.
Ainda se usa cálcio para prevenir pré-eclâmpsia?
O posicionamento conjunto da RBEHG e da CNE de Hipertensão na Gestação da FEBRASGO, assinado em 28 de março de 2026, deixou de recomendar cálcio para prevenir pré-eclâmpsia. Isso não impede sua prescrição por outras indicações nem equivale, por si só, a uma mudança de política do SUS.
Pré-eclâmpsia pode aparecer depois do parto?
Sim. O parto não encerra imediatamente o risco. Hipertensão, cefaleia persistente, alterações visuais, falta de ar e dor epigástrica no puerpério exigem avaliação imediata, mesmo sem diagnóstico durante a gestação.
Plaquetas abaixo de 150.000/mm³ significam HELLP?
Não. Esse valor pode indicar disfunção hematológica no diagnóstico de pré-eclâmpsia. O protocolo específico de HELLP da RBEHG 2025 usa plaquetas abaixo de 100.000/mm³, em conjunto com hemólise e comprometimento hepático.
Sulfato de magnésio baixa a pressão?
Não. O magnésio previne e trata convulsões. A crise hipertensiva é tratada com hidralazina IV ou nifedipino oral de liberação rápida.
Fontes para conferir e aprofundar
- RBEHG: protocolo de pré-eclâmpsia 2025.
- RBEHG: hipertensão arterial crônica e pré-eclâmpsia sobreposta, 2025.
- FEBRASGO: pré-eclâmpsia/eclâmpsia, protocolo nº 73 (2021). A recomendação de cálcio deve ser lida com a atualização conjunta de 2026.
- Ministério da Saúde: Nota Técnica Conjunta nº 251/2024.
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