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Gabarito Enamed 2026 — Extraoficial

Resolução comentada, questão por questão, feita pela equipe médica do EvoMed logo após a prova de 13/09/2026, enquanto o gabarito preliminar oficial do INEP não sai.

Isso não é o gabarito oficial

O gabarito preliminar oficial do Enamed 2026 é divulgado pelo INEP em 15/09/2026, com prazo de recursos até 17/09. Até lá, esta é uma resolução extraoficial, construída pelo nosso time com base em raciocínio clínico, diretrizes e protocolos vigentes do SUS (PCDTs, Previne Brasil, RAPS, ATLS etc.).

Pode haver divergências pontuais em relação ao gabarito oficial. Estamos atualizando esta página conforme mais cadernos chegam até nós e assim que o gabarito oficial for publicado.

As 100 questões do Caderno 01 já estão resolvidas abaixo.

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  1. Questão 1Clínica Médica / Geriatria
    B

    Homem de 75 anos, residente em instituição de longa permanência, declínio cognitivo leve prévio, confusão mental progressiva há 7 dias, astenia, tosse e agitação psicomotora; iniciada ciprofloxacina empírica no 2º dia, sem melhora. Confuso no tempo e espaço; PA 110x60, FC 98, FR 21, SpO₂ 94% em ar ambiente; estertores finos em bases bilateralmente.

    A) Associar claritromicina.

    B) Encaminhar para Unidade de Pronto Atendimento.

    C) Solicitar tomografia de tórax.

    D) Administrar furosemida.

    Comentário: Pelo CURB-65 (confusão + PA com diastólica ≤60 mmHg + idade ≥65 anos já somam critérios de risco), associado à falha terapêutica com antibiótico já em curso e hipoxemia, esse quadro indica necessidade de avaliação e manejo hospitalar, e não apenas ampliar o esquema antibiótico por via oral na atenção primária.

  2. Questão 2Pediatria / Emergência
    C

    Criança de 4 anos, previamente saudável, início súbito de dificuldade respiratória, estridor inspiratório intenso, sialorreia, postura sentada em tripé, aspecto tóxico e rebaixamento do nível de consciência; FC 160, FR 50, SpO₂ 86%, Tax 40°C; piora da dispneia à manipulação.

    A) Laringite aguda.

    B) Obstrução por corpo estranho.

    C) Epiglotite aguda.

    D) Pneumonia bacteriana.

    Comentário: Início súbito, febre alta, toxemia, sialorreia, postura em tripé e piora com manipulação são o quadro clássico de epiglotite aguda — diferente da laringite viral (evolução mais arrastada, tosse "de cachorro") ou de corpo estranho (sem febre alta/toxemia).

  3. Questão 3Obstetrícia / Trauma
    C

    Gestante de 32 semanas, socorrida após acidente automobilístico, consciente e conversando; Glasgow 12, FC 108, PA 90x60; imobilizada em prancha rígida com colar cervical.

    A) Colocá-la em posição de Trendelemburg.

    B) Imobilizá-la na prancha em decúbito lateral esquerdo.

    C) Realizar o deslocamento manual do útero para a esquerda.

    D) Elevar os membros inferiores.

    Comentário: Com a paciente já imobilizada em prancha rígida por trauma (rolar totalmente para decúbito lateral comprometeria a imobilização da coluna), o deslocamento manual do útero para a esquerda é a manobra que alivia a compressão aortocava e melhora o retorno venoso sem tirar a paciente da posição de imobilização.

  4. Questão 4Ginecologia
    D

    Mulher de 35 anos, nuligesta, dismenorreia progressiva e hematoquezia cíclica (ao menstruar), com piora há 5 anos e já duas idas ao PS por dor pélvica forte; sem contracepção hormonal (sem atividade sexual há 10 anos); constipação com piora há 6 meses. Toque vaginal: dor à mobilização do colo, útero pouco móvel, nódulos endurecidos e dolorosos em fórnice vaginal posterior.

    A) Tomografia computadorizada do abdome.

    B) Laparoscopia diagnóstica.

    C) Histerossalpingografia.

    D) Ultrassonografia endovaginal.

    Comentário: Quadro clássico de endometriose profunda (dismenorreia progressiva, hematoquezia cíclica, nódulo doloroso em fundo de saco posterior, útero fixo). A USG endovaginal com preparo intestinal é o exame de referência para investigação inicial, reservando a laparoscopia para quando há necessidade de confirmação cirúrgica/tratamento.

  5. Questão 5Infectologia
    D

    Homem de 27 anos, febre, mialgia, artralgia, cefaleia e dor retro-orbitária há 7 dias, vômitos há 2 dias, sem viagem recente; desidratado, PA 80x50, FC 120, dor abdominal difusa, exantema maculopapular em tronco e membros superiores.

    A) Pesquisa de proteína NS1.

    B) Avaliação da contagem de plaquetas.

    C) Realização de isolamento viral.

    D) Detecção de anticorpos IgM por ELISA.

    Comentário: Dengue com sinais de alarme/gravidade no 7º dia de doença: a essa altura a viremia já caiu e o NS1 perde sensibilidade, enquanto o IgM já está detectável (a partir do 4º-5º dia) — a confirmação nesse momento é sorológica (IgM por ELISA), não por NS1.

  6. Questão 6Saúde Coletiva
    D

    Onda de calor no município: enfermeira da UBS relata aumento de atendimentos por desidratação leve, exaustão pelo calor e descompensação de doenças crônicas. Plano de intervenção para a população adstrita?

    A) Separar o fluxo de atendimento da UBS para agilizar o atendimento da população atingida.

    B) Implementar hospital de campanha para atender a população por demanda espontânea.

    C) Encaminhar as pessoas afetadas para hidratação parenteral, a fim de evitar descompensação clínica.

    D) Orientar hidratação, adaptação do domicílio, sinais de alerta e monitoramento ativo dos suscetíveis.

    Comentário: Resposta territorial a onda de calor, no padrão dos planos de contingência do Ministério da Saúde: orientação proativa, adaptação do ambiente doméstico e vigilância ativa dos mais vulneráveis, e não medicalizar em massa (hidratação parenteral) nem apenas reorganizar filas.

  7. Questão 7Saúde Mental / Adolescência
    C

    Estudante de 17 anos, tristeza e dificuldade de relacionamento com os pais, pensou em "sumir" após uma briga, nega intenção ou planejamento suicida ("só queria que esse sentimento ruim passasse"); perdeu interesse em atividades e passa mais tempo no quarto, mas mantém sono regular, apetite inalterado, bom desempenho escolar e funcionalidade preservada; nega substâncias e autolesão.

    A) Convocar os responsáveis e encaminhar ao CAPS infantojuvenil do território de referência.

    B) Prescrever inibidor de recaptação de serotonina e encaminhar a ambulatório de saúde mental.

    C) Propor o envolvimento da família no cuidado e iniciar acompanhamento multiprofissional na UBS.

    D) Explicar que a distimia faz parte da adolescência e orientar a buscar emergência se piorar.

    Comentário: Sintomas depressivos leves/moderados sem ideação/plano suicida e com funcionalidade preservada (sono, apetite, escola) não preenchem critério de gravidade para CAPS ou psicofármaco de saída — o manejo inicial na atenção primária é acompanhamento multiprofissional na UBS com envolvimento familiar, sem minimizar a queixa.

  8. Questão 8Cardiologia
    C

    Mulher de 56 anos, HAS mal controlada, obesidade grau 3, tabagista (60 maços-ano), dor torácica em queimação retroesternal há 2h30, piora ao esforço e melhora ao repouso. ECG: infradesnivelamento de ST >0,5 mm em V1-V4. Troponina de alta sensibilidade na admissão: 6 ng/L (VR até 9). Após nitrato e morfina, estável e sem dor.

    A) Iniciar terapia trombolítica em até 30 minutos.

    B) Encaminhar para cateterismo coronariano de urgência.

    C) Realizar nova dosagem de troponina em 1 hora.

    D) Repetir eletrocardiograma em 2 horas.

    Comentário: ECG com infradesnivelamento (não supradesnivelamento) exclui indicação de trombolítico. Sem critérios de altíssimo risco (instabilidade, dor refratária, arritmia grave) e com troponina inicial ainda abaixo do corte muito precocemente no quadro, o protocolo 0h/1h de troponina ultrassensível é o próximo passo antes de definir estratégia invasiva.

  9. Questão 9Pediatria / Pneumologia
    A

    Escolar de 8 anos, asmático sem tratamento de manutenção, uso frequente de salbutamol de resgate; crise aguda de asma com fala entrecortada, FR 40, SatO₂ 90%, FC 112. Após corticoide oral e 3 ciclos de salbutamol+ipratrópio, mantém fala entrecortada, FR 42, SatO₂ 92%, FC 128, sibilos difusos, uso de musculatura acessória.

    A) Sulfato de magnésio.

    B) Corticoide.

    C) Anti-histamínico.

    D) Terbutalina.

    Comentário: Crise asmática grave refratária ao tratamento inicial padrão (broncodilatador + corticoide já administrados, sem resposta): próximo passo medicamentoso recomendado é sulfato de magnésio intravenoso.

  10. Questão 10Cirurgia
    C

    Homem de 45 anos, hernioplastia inguinal com tela há 7 dias, retorna com dor no local; afebril, sem calafrios. Exame: terço médio da ferida operatória com tumefação, rubor e calor, sem sinais de acometimento de fáscia ou plano muscular.

    A) Prescrever antibioticoterapia oral.

    B) Remover a tela.

    C) Explorar localmente a ferida.

    D) Solicitar ultrassonografia de partes moles.

    Comentário: Sinais localizados de infecção de sítio cirúrgico superficial, sem toxemia e sem sinais de acometimento profundo: a conduta é abrir/explorar localmente a ferida (drenar se houver coleção, coletar cultura), reservando antibiótico sistêmico e retirada de tela para quadros mais extensos ou profundos.

  11. Questão 11Obstetrícia
    A

    Gestante de 38 anos, 38 semanas, sangramento vaginal moderado vermelho vivo após dor abdominal forte súbita; útero "muito duro" (hipertonia), redução dos movimentos fetais, sem perda de líquido; HAS gestacional prévia. PA 150x95, FC 105, abdome doloroso com hipertonia uterina, BCF sustentado entre 100-110 bpm.

    A) Interromper a gestação pela via de parto mais rápida.

    B) Confirmar a localização placentária por ultrassonografia obstétrica.

    C) Realizar perfil biofísico fetal com monitorização dos sinais vitais maternos.

    D) Iniciar a indução do trabalho de parto.

    Comentário: Quadro clássico de descolamento prematuro de placenta (dor súbita, hipertonia uterina, sangramento vivo, sofrimento fetal, HAS gestacional como fator de risco): com comprometimento fetal e materno em curso, a conduta é resolução imediata da gestação pela via mais rápida, sem tempo para exames adicionais.

  12. Questão 12Pneumologia / Saúde Coletiva
    A

    Homem de 42 anos, em situação de rua, procura UBS por demanda espontânea com adinamia, tosse persistente, febre vespertina e perda de peso; relata TB pulmonar há 6 meses com tratamento iniciado em outra UBS e interrompido após ~3 semanas por instabilidade de moradia; sem documentação, relata discriminação prévia em serviços de saúde.

    A) Na UBS atual, na qual compareceu para atendimento.

    B) Na UBS de origem, na qual o tratamento foi iniciado.

    C) No Consultório na Rua responsável pela região.

    D) Em unidade hospitalar, com médico pneumologista.

    Comentário: A barreira de acesso (moradia instável, deslocamento) foi o que já interrompeu o tratamento uma vez — reiniciar onde o paciente conseguiu efetivamente chegar, sem exigir retorno à UBS de origem, reduz a barreira de acesso e é coerente com plano terapêutico singular centrado na pessoa.

  13. Questão 13Saúde da Família
    B

    Equipe de saúde da família observa aumento de crises hipertensivas entre pacientes com HAS acompanhados há 3 meses; revisão mostra queda de adesão a grupos educativos, menos registros de PA, menos comparecimento a consultas programadas e visitas domiciliares aquém do necessário por redução do número de ACS no território.

    A) Desenvolver ações educativas para o controle de condições de risco.

    B) Identificar as falhas no cuidado e no fluxo de informação.

    C) Analisar o número de visitas domiciliares como indicador.

    D) Encaminhar para acompanhamento ambulatorial especializado.

    Comentário: O próprio enunciado já descreve uma cadeia de falhas de processo (adesão, registro, cobertura de visitas) — antes de desenhar uma nova ação educativa ou encaminhar, a prioridade é mapear e entender essas falhas no cuidado e no fluxo de informação já identificadas.

  14. Questão 14Saúde Mental / Adolescência
    C

    Adolescente de 14 anos, medo intenso de engordar e preocupação excessiva com peso há 1 ano, com restrição alimentar progressiva; relata episódios de compulsão alimentar quase todas as noites nos últimos 4 meses, compensados com jejuns prolongados e exercícios físicos excessivos; nega vômitos autoinduzidos ou laxantes. IMC 23 kg/m², sem sinais de desnutrição.

    A) Anorexia nervosa.

    B) Transtorno alimentar não especificado.

    C) Bulimia nervosa.

    D) Transtorno de compulsão alimentar.

    Comentário: Pelo DSM-5, jejum prolongado e exercício físico excessivo contam como comportamento compensatório inadequado — associados a compulsão alimentar recorrente e à preocupação exagerada com peso/forma, isso define bulimia nervosa (subtipo não purgativo), e não transtorno de compulsão alimentar (que exige ausência de comportamento compensatório regular) nem anorexia (IMC aqui é normal, não baixo).

  15. Questão 15Infectologia / Cardiologia
    C

    Homem de 64 anos, agricultor, zona rural, investigação de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida; 2 episódios de malária há 10 anos, HAS controlada, mãe falecida de arritmia aos 48 anos; sem diabetes ou dislipidemia. ECG: bloqueio de ramo direito. Ecocardiograma: dilatação ventricular excêntrica bilateral.

    A) Exame parasitológico direto por gota espessa.

    B) Intradermorreação de Montenegro.

    C) Sorologia por IgG em dois métodos distintos.

    D) Reação em cadeia da polimerase.

    Comentário: Cardiomiopatia dilatada biventricular com bloqueio de ramo direito em paciente rural é o quadro clássico da fase crônica da doença de Chagas; nessa fase, o diagnóstico é sorológico, exigindo dois testes de IgG por métodos distintos e concordantes (métodos parasitológicos diretos/PCR são para a fase aguda).

  16. Questão 16Pediatria / Infectologia
    D

    Criança de 1 ano e 9 meses, previamente hígida, rash cutâneo iniciado há 12h. Febre, irritabilidade e inapetência nos 3 dias anteriores; a febre cessou de forma abrupta exatamente quando o rash surgiu, repentinamente, primeiro no tórax e depois nos braços. Exame: ativa, brincando, afebril; exantema maculopapular rosado em face, tronco e extremidades; linfonodo cervical anterior pequeno, indolor e móvel.

    A) Vírus Epstein-Barr.

    B) Parvovírus humano B19.

    C) Vírus Coxsackie A1.

    D) Herpes-vírus humano 6.

    Comentário: Febre alta que cessa abruptamente e é seguida imediatamente pelo surgimento do exantema é o padrão clássico e quase patognomônico do exantema súbito (roséola infantil), causado pelo herpes-vírus humano 6.

  17. Questão 17Cirurgia / Gastroenterologia
    A

    Mulher de 54 anos, obesidade moderada, dor contínua em hipocôndrio direito há 72h (piora nas últimas 6h), náuseas e febre baixa; sinal de Murphy positivo (interrupção súbita da inspiração à palpação profunda do hipocôndrio direito). Leucócitos 12.000/mm³ (elevado). USG: parede vesicular de 0,8 cm (espessada), múltiplos cálculos, colédoco com 0,4 cm (normal).

    A) Encaminhar para colecistectomia de urgência.

    B) Indicar descompressão endoscópica das vias biliares.

    C) Solicitar ressonância magnética de abdome superior.

    D) Tratar clinicamente com antibióticos e analgésicos.

    Comentário: Colecistite aguda litiásica (Murphy positivo, parede espessada, cálculos, leucocitose, febre), sem dilatação de colédoco que sugira coledocolitíase associada: o tratamento definitivo recomendado é a colecistectomia precoce, e não só antibiótico ou descompressão endoscópica (esta seria para obstrução de via biliar principal).

  18. Questão 18Ginecologia / Obstetrícia
    C

    Mulher de 23 anos, G2P0A1, última menstruação há 8 semanas, dor pélvica leve e sangramento vaginal discreto; hemodinamicamente estável e sem dor à palpação abdominal. Beta-hCG: 1920 mUI/mL na primeira dosagem e 700 mUI/mL na segunda (em queda). USG transvaginal: ausência de saco gestacional intrauterino; massa anexial esquerda de 2,0 cm com sinal do anel tubário; sem BCF ou líquido livre.

    A) Orientar beta-hCG quantitativo seriado.

    B) Indicar procedimento cirúrgico.

    C) Prescrever o uso de metotrexate.

    D) Indicar aspiração intrauterina.

    Comentário: Gravidez ectópica íntegra (sinal do anel tubário, ausência de saco gestacional intrauterino, sem sinais de rotura) em paciente estável, com massa pequena (<3,5-4 cm), sem atividade cardíaca embrionária e beta-hCG em queda: preenche os critérios para tratamento medicamentoso com metotrexate, evitando cirurgia.

  19. Questão 19Saúde Coletiva / Nutrição
    C

    Equipe de Saúde da Família identifica aumento significativo de obesidade e HAS na população adscrita; nutricionista propõe ação educativa baseada no Guia Alimentar para a População Brasileira, visando impactar determinantes sociais da saúde e reduzir doenças crônicas não transmissíveis.

    A) Estimular a redução do aporte calórico diário com uso de produtos diet e light.

    B) Ensinar a contagem sistemática de calorias, com cálculo de macronutrientes.

    C) Promover habilidades culinárias, resgatar hábitos regionais e incentivar o consumo de alimentos in natura.

    D) Recomendar a exclusão de alimentos processados, como queijos e pães artesanais.

    Comentário: O Guia Alimentar para a População Brasileira estrutura sua recomendação central em torno do grau de processamento dos alimentos (dar preferência a in natura/minimamente processados) e do resgate de práticas culinárias e da comensalidade — não em contagem de calorias ou produtos diet/light.

  20. Questão 20Saúde do Trabalhador
    A

    Homem de 58 anos, dor abdominal recorrente, constipação crônica, anemia normocítica persistente, parestesias e alterações de memória; trabalhava há mais de 20 anos em oficina própria de reciclagem de bateria automotiva. Exacerbação com forte dor abdominal e confusão mental; encaminhado ao pronto-socorro, evolui em 24h com insuficiência renal, convulsão, coma e óbito por provável intoxicação por chumbo.

    A) Registrar no Sistema de Informação de Agravos de Notificação e comunicar à Vigilância em Saúde do Trabalhador.

    B) Registrar no Sistema de Informação de Mortalidade e comunicar à Vigilância em Saúde do Trabalhador.

    C) Registrar no Sistema de Informação de Agravos de Notificação e no Sistema de Informação de Mortalidade.

    D) Registrar no Sistema de Informação de Agravos de Notificação e acionar a Vigilância Sanitária.

    Comentário: Intoxicação exógena por chumbo de origem ocupacional é agravo de notificação compulsória (SINAN), com comunicação à Vigilância em Saúde do Trabalhador para investigação do ambiente de trabalho e de outros expostos — esse é o papel específico da atenção primária na vigilância do caso.

  21. Questão 21Saúde Mental
    D

    Mulher de 30 anos chega ao CAPS animada, inquieta e falante, andando de um lado para outro, cumprimentando todos com sorrisos exagerados e comentários animados sobre coisas aleatórias, emendando os assuntos; está "mais elétrica" que o habitual, sendo impossível interrompê-la.

    A) Humor disfórico, estereotipias vocais e agitação psicomotora.

    B) Humor hipotímico, apragmatismo e afrouxamento de associações.

    C) Humor eutímico, fuga de ideias e avolia.

    D) Humor hipertímico, taquipsiquismo e taquilalia.

    Comentário: Humor exaltado (hipertímico), pensamento acelerado saltando de assunto em assunto (taquipsiquismo/fuga de ideias) e fala rápida e difícil de interromper (taquilalia) compõem o quadro clássico de episódio maníaco/hipomaníaco.

  22. Questão 22Endocrinologia / Emergência
    C

    Homem de 49 anos, DM2 em uso irregular de metformina e dapagliflozina, poliúria, polidipsia, fadiga e visão turva há 3 dias; hemodinamicamente estável, discretamente desidratado, sem infecção, dor abdominal ou náuseas/vômitos. Glicemia capilar 420 mg/dL, plasmática 460 mg/dL. Exames: pH 7,36; HCO₃⁻ 22 mEq/L; osmolaridade plasmática 292 mOsm/kg; cetonemia e cetonúria ausentes; sódio 147 mEq/L; potássio 3,6 mEq/L.

    A) Cetoacidose diabética.

    B) Estado hiperosmolar hiperglicêmico.

    C) Hiperglicemia não crítica de emergência metabólica.

    D) Acidose metabólica induzida por medicação.

    Comentário: pH, bicarbonato e osmolaridade normais, sem cetonemia/cetonúria: não fecha critério nem de cetoacidose diabética (exigiria acidose e cetose) nem de estado hiperosmolar (exigiria osmolaridade bem mais alta, tipicamente >320) — é hiperglicemia significativa, porém sem critérios de emergência metabólica.

  23. Questão 23Pediatria / Hematologia
    A

    Menino de 2 anos e 3 meses, palidez progressiva e redução do apetite nos últimos 2 meses; palidez cutaneomucosa, sem outros achados. Hemoglobina 9,4 g/dL (VR 10,5-14,2); VCM 68 fL (VR 75-87, microcítico); índice de anisocitose aumentado.

    A) Ferro oral em dose terapêutica e orientar adequação alimentar.

    B) Polivitamínico com ferro em dose profilática e manter dieta atual.

    C) Ferro oral em dose profilática e orientar uso de ácido fólico.

    D) Ferro endovenoso e suplementar com vitamina B12.

    Comentário: Anemia microcítica com RDW aumentado é o quadro típico de anemia ferropriva na primeira infância — o tratamento é ferro oral em dose terapêutica (não apenas profilática), associado à orientação alimentar, e não ferro parenteral ou suplementação de B12/fólico (que tratam outras etiologias).

  24. Questão 24Cirurgia
    B

    Homem de 58 anos, 2º dia de pós-operatório de hemicolectomia esquerda por neoplasia de cólon, distensão abdominal progressiva, náuseas e vômitos ocasionais, sem eliminação de flatos ou fezes desde o procedimento; bom estado geral, afebril, PA 120x80, FC 78; abdome globoso, timpânico, indolor, sem massas ou peritonite, RHA diminuídos. Radiografia: distensão difusa de alças de delgado e cólon, sem níveis hidroaéreos.

    A) Indicar reintervenção cirúrgica e confecção de colostomia em alça.

    B) Estimular deambulação precoce e considerar progressão de dieta conforme aceitação.

    C) Realizar descompressão colonoscópica e administrar neostigmina sob monitorização cardíaca.

    D) Iniciar nutrição parenteral total e antibioticoterapia de amplo espectro.

    Comentário: Quadro de íleo paralítico pós-operatório (distensão sem níveis hidroaéreos que sugerissem obstrução mecânica, sem sinais de peritonite ou infecção, paciente estável): a conduta é conservadora — deambulação precoce e progressão gradual da dieta conforme tolerância, sem necessidade de reoperação, descompressão colonoscópica (reservada para pseudo-obstrução colônica/Ogilvie) ou NPT/antibiótico.

  25. Questão 25Ginecologia / Infectologia
    A

    Mulher de 20 anos, corrimento vaginal há 7 dias, odor fétido, prurido leve, dor pélvica hipogástrica de início recente, febre não aferida, dispareunia; corrimento acinzentado, colo uterino doloroso à mobilização, dor à palpação anexial bilateral.

    A) Metronidazol, ceftriaxona e doxiciclina.

    B) Fluconazol, azitromicina e clindamicina.

    C) Doxiciclina, ceftriaxona e gentamicina.

    D) Miconazol, metronidazol e azitromicina.

    Comentário: Dor à mobilização do colo + dor anexial bilateral fecham o diagnóstico de doença inflamatória pélvica; o esquema padrão cobre gonococo (ceftriaxona), clamídia (doxiciclina) e anaeróbios/vaginose associada (metronidazol, coerente com o corrimento acinzentado).

  26. Questão 26Saúde Coletiva / Infectologia
    D

    Mulher cisgênero de 26 anos, profissional do sexo, uso inconsistente de preservativos, preocupada com risco de HIV; teste rápido para HIV há 2 meses não reagente; novos testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C, todos não reagentes; sem sinais de infecção aguda por HIV ou outras ISTs no momento.

    A) Sob demanda, agendando retorno mensal para teste rápido.

    B) De uso diário consecutivo, orientando que a proteção ocorrerá em 20 dias.

    C) Sob demanda, aguardando confirmação da sorologia com resultado não reagente.

    D) De uso diário consecutivo, agendando retorno trimestral para teste rápido.

    Comentário: A modalidade sob demanda (2-1-1) só tem validação para relação anal receptiva (HSH); para mulheres cisgênero com exposição vaginal, a PrEP deve ser diária contínua. O acompanhamento padrão da PrEP (testagem, função renal, rastreio de ISTs) é feito a cada 3 meses — daí o retorno trimestral, e não mensal.

  27. Questão 27Saúde Coletiva / Epidemiologia
    C

    Avaliação de teste rápido de triagem para diabetes tipo 2 em população assintomática: tabela 2x2 mostra 80 verdadeiros positivos, 20 falsos positivos, 20 falsos negativos e 180 verdadeiros negativos (total 300).

    A) 0,02 — indica redução na probabilidade de o paciente ter a doença.

    B) 1,12 — demonstra uma alteração mínima e irrelevante na probabilidade de o paciente ter a doença.

    C) 8,00 — apresenta aumento moderado na probabilidade pós-teste de o paciente ter a doença.

    D) 9,00 — confirma o diagnóstico definitivo do diabetes, independentemente da probabilidade do teste.

    Comentário: Sensibilidade = 80/100 = 0,80; especificidade = 180/200 = 0,90. Razão de verossimilhança positiva = sensibilidade/(1-especificidade) = 0,80/0,10 = 8,0, o que corresponde, pelas faixas de interpretação usuais, a um aumento moderado na probabilidade pós-teste.

  28. Questão 28Saúde Mental
    B

    Homem de 29 anos com sofrimento emocional constante e problemas nos relacionamentos; explosões de raiva, sensação de abandono, relações interpessoais intensas e instáveis, autolesões leves quando frustrado/rejeitado, abandona acompanhamentos com frequência, desconfiança inicial e busca intensa por atenção/aprovação; sem sintomas psicóticos nem transtorno de humor.

    A) Paranoide.

    B) Borderline.

    C) Dependente.

    D) Antissocial.

    Comentário: Instabilidade afetiva, relações interpessoais intensas e instáveis, medo de abandono e autolesão recorrente são o núcleo do transtorno de personalidade borderline.

  29. Questão 29Cardiologia
    D

    Mulher de 67 anos, fadiga, fraqueza e palpitação há 3 dias, hemodinamicamente estável. ECG com padrão de bloqueio atrioventricular.

    A) Realizar cardioversão elétrica.

    B) Iniciar amiodarona em bolus.

    C) Indicar anticoagulação.

    D) Implantar marca-passo temporário.

    Comentário: Bloqueio atrioventricular de 2º grau Mobitz II tem alto risco de progressão súbita para bloqueio total/assistolia, mesmo em paciente estável — a conduta é marca-passo (temporário, seguido de definitivo), e não drogas antiarrítmicas ou cardioversão (que são para taquiarritmias).

  30. Questão 30Pediatria / Cardiologia
    A

    Adolescente de 13 anos, assintomática, avaliação anual: sopro sistólico de baixa intensidade (1+/4+) em foco pulmonar, sem irradiação, timbre suave, que diminui em ortostatismo; sem frêmito; sem antecedentes pessoais ou familiares de cardiopatia ou morte súbita.

    A) Sopro sistólico de baixa intensidade, sem irradiação e com diminuição em posição ortostática.

    B) Sopro localizado em foco pulmonar sem irradiação, associado à ausência de sintomas respiratórios.

    C) Ausência de antecedentes familiares de cardiopatia congênita ou de morte súbita.

    D) Presença de PA e FC dentro da normalidade para a idade.

    Comentário: A combinação clássica que caracteriza sopro inocente é baixa intensidade, ausência de irradiação e redução/desaparecimento com a mudança de posição (ortostatismo) — os outros achados são apenas dados negativos de tranquilidade, não a assinatura positiva do sopro inocente.

  31. Questão 31Cirurgia / Toxicologia
    B

    Menino de 12 anos, desbridamento cirúrgico sob anestesia local infiltrativa com 20 mL de lidocaína 2% sem vasoconstritor; durante o procedimento relata formigamento nos lábios, gosto metálico na boca e zumbido, evoluindo com crise convulsiva tônico-clônica generalizada.

    A) Reação anafilática grave.

    B) Toxicidade pelo anestésico.

    C) Paroxismo tetânico.

    D) Sepse por infecção da ferida.

    Comentário: Parestesia perioral, gosto metálico e zumbido seguidos de convulsão são o pródromo clássico da toxicidade sistêmica por anestésico local (LAST), por dose alta/absorção rápida — quadro bem diferente de anafilaxia (que cursa com urticária, angioedema, broncoespasmo, hipotensão).

  32. Questão 32Obstetrícia / Endocrinologia
    D

    Gestante de 21 anos, 27 semanas, TOTG 75g: jejum 89 mg/dL (VR<92), 1h 182 mg/dL (VR<180, alterado), 2h 152 mg/dL (VR<153) — diagnóstico de diabetes gestacional confirmado.

    A) Solicitar dosagem de insulina.

    B) Repetir curva glicêmica.

    C) Solicitar dosagem de HbA1c.

    D) Monitorar a glicemia capilar.

    Comentário: Após diagnóstico de diabetes gestacional e orientação de dieta/atividade física, o próximo passo é a automonitorização da glicemia capilar, para avaliar a resposta às medidas não farmacológicas antes de decidir sobre insulinoterapia.

  33. Questão 33Pediatria / Cardiologia
    B

    Menina de 6 anos, histórico familiar de hipercolesterolemia (pai e mãe), sem comorbidades ou medicações, IMC na faixa de sobrepeso.

    A) Solicitar dosagem de lipoproteína A e, se normal, repetir entre 12 e 16 anos de idade.

    B) Solicitar dosagem de triglicerídeos, colesterol total, HDL-c e LDL-c e, se normais, repetir entre 12 e 16 anos de idade.

    C) Rastrear a partir dos 9 anos, caso a criança mantenha IMC compatível com sobrepeso ou obesidade.

    D) Solicitar dosagem de LDL-c e, se alterado, ampliar para perfil lipídico completo e prescrever estatina.

    Comentário: Diante de histórico familiar de hipercolesterolemia em ambos os pais (fator de risco já presente e conhecido), o rastreio com perfil lipídico completo deve ser feito desde já, e não adiado até os 9 anos — essa idade só vale como rastreio universal na ausência de fatores de risco.

  34. Questão 34Saúde Coletiva / Epidemiologia
    B

    Série histórica de HIV/AIDS em município (2019-2023): incidência de casos novos estável (~120/ano), total de pessoas vivendo com HIV crescente (600→1.005), óbitos por AIDS em queda acentuada (50→4).

    A) Da crescente virulência das cepas virais circulantes, indicada pela estabilidade da taxa de incidência.

    B) Do aumento da duração média da doença, resultante da redução da letalidade observada na série.

    C) Da ineficácia das estratégias de prevenção primária, demonstrada pelo acúmulo de casos ativos.

    D) Da variação de exposição de risco da infecção, que gera diagnósticos superiores à capacidade de resolução do sistema.

    Comentário: Prevalência = incidência × duração da doença. Com incidência estável e letalidade caindo (mais gente sobrevivendo/tratando por mais tempo), o aumento de prevalência só pode ser explicado pelo aumento da duração média da doença.

  35. Questão 35Saúde Mental / Desastres
    A

    Mulher de 42 anos, casa destruída há 3 dias por desastre natural; angustiada, desesperançosa, sono entrecortado, pesadelos, choro recorrente, inapetência, dificuldade de concentração; filhos dão suporte; nega ideação suicida.

    A) Realizar escuta ativa, identificando as necessidades de saúde, e manter o seguimento na atenção primária à saúde.

    B) Solicitar relato detalhado dos eventos traumáticos, oferecer visão de futuro otimista e orientar busca por urgência se houver piora.

    C) Prescrever inibidores seletivos da recaptação de serotonina ou benzodiazepínicos e encaminhar a ambulatório especializado.

    D) Indicar acompanhamento psicológico regular e encaminhar a um centro de atenção psicossocial.

    Comentário: Reação aguda ao estresse pós-desastre sem sinais de gravidade (sem ideação suicida, com rede de apoio presente): a resposta inicial em saúde mental de emergências/desastres é acolhimento com escuta ativa e vínculo com a atenção primária — forçar o relato detalhado do trauma (debriefing) pode até retraumatizar, e medicalizar ou encaminhar para especializado de saída não é a primeira conduta.

  36. Questão 36Hematologia
    D

    Mulher de 23 anos, anemia falciforme, dor intensa em membros inferiores (EVA 9) há 12 horas, crises similares prévias, afebril, hidratada, sem sinais de infecção, hemodinamicamente estável.

    A) Codeína e paracetamol via oral.

    B) Dipirona intravenosa.

    C) Tenoxicam intramuscular.

    D) Morfina intravenosa.

    Comentário: Crise vaso-oclusiva com dor intensa (EVA 9/10) exige analgesia potente e rápida: opioide intravenoso (morfina) é o padrão para dor grave, muito acima do que analgésicos comuns ou orais conseguem controlar.

  37. Questão 37Cirurgia / Queimados
    A

    Escolar de 5 anos, 20 kg, queimaduras de 2º e 3º graus atingindo integralmente os membros inferiores (ambas as pernas, frente e costas) e as faces anteriores de tórax e abdome. Diagrama de Lund-Browder para 5 anos: área A (cabeça) = 6,5%; área B (coxa) = 4,0%; área C (perna) = 2,75%.

    A) 2.820 mL, administrado em 16 horas.

    B) 3.760 mL, administrado em 8 horas.

    C) 1.500 mL, administrado em 2 horas.

    D) 1.000 mL, administrado em 15 a 20 minutos.

    Comentário: Somando as áreas queimadas pelo diagrama (ambas as coxas e pernas, frente e costas, mais tórax/abdome anterior), a superfície corporal queimada dá cerca de 47%. Pela fórmula de Parkland (4 mL × peso × %SCQ), o volume total em 24h seria ≈3.760 mL, com metade (≈1.880 mL) nas primeiras 8h e o restante nas 16h seguintes — nenhuma alternativa reproduz exatamente esse valor de forma inequívoca, então vale conferir esta questão com calma contra o caderno físico antes de fechar a resposta; mantivemos a alternativa estruturalmente mais compatível com a lógica de Parkland (a fase das 16h remanescentes).

  38. Questão 38Cirurgia / Trauma
    A

    Homem de 28 anos, ferimento por arma de fogo em hemitórax direito; dispneia, dor torácica, pulsos filiformes, PA 90x55, SpO₂ 89%; assimetria de expansão torácica, macicez à percussão e redução do murmúrio vesicular à direita; radiografia com velamento à direita.

    A) Drenagem torácica.

    B) Toracotomia na sala de emergência.

    C) Punção torácica de alívio.

    D) Videotoracoscopia.

    Comentário: Quadro de hemotórax (macicez, redução do murmúrio, velamento radiográfico) com instabilidade: a conduta inicial é drenagem torácica, que também vai definir (pelo débito) se há indicação de toracotomia — punção de alívio é para pneumotórax hipertensivo, não hemotórax.

  39. Questão 39Obstetrícia / Ética Médica
    B

    Gestante de 24 anos, G1P0, 12 semanas, teste rápido de HIV reagente na primeira consulta; ansiedade intensa, medo de julgamento e de que a família descubra o diagnóstico.

    A) Solicitar a presença de um familiar da paciente e encaminhá-la para o pré-natal de alto risco.

    B) Acolher a paciente com escuta ativa e fornecer esclarecimentos quanto ao resultado do teste rápido.

    C) Explicar à paciente o risco de transmissão da doença ao feto e solicitar sorologia para confirmar o diagnóstico.

    D) Tranquilizar a paciente e iniciar terapia antirretroviral.

    Comentário: Um teste rápido reagente ainda precisa de confirmação, e a comunicação de um resultado desse tipo exige, antes de tudo, acolhimento e escuta ativa, com esclarecimento cuidadoso — sem quebrar sigilo (convocando familiar) nem pular etapas de confirmação diagnóstica.

  40. Questão 40Cardiologia / Emergência
    A

    Mulher de 66 anos, HAS, DM, tabagista, síncope há 40 minutos após discussão familiar; mal-estar intenso, tontura, náuseas, sudorese, vômito; desconforto moderado em andar superior do abdome; PA 86x53, FC 49 bpm, desconforto abdominal não reprodutível à palpação; UBS sem ECG ou monitor.

    A) AAS via oral mastigado.

    B) Isossorbida sublingual.

    C) Omeprazol via oral.

    D) Diazepam via oral.

    Comentário: Bradicardia + hipotensão + desconforto no andar superior do abdome em mulher com múltiplos fatores de risco cardiovascular sugere infarto de parede inferior (que classicamente cursa com reflexo vagal/bradicardia e pode mimetizar quadro abdominal). Nitrato está contraindicado aqui (pioraria a hipotensão); AAS mastigado é a medida de suporte segura enquanto se aciona o SAMU.

  41. Questão 41Alergologia / Emergência
    A

    Homem de 68 anos, perda de consciência após picada de abelha, confuso e com falta de ar; em uso crônico de propranolol, enalapril e espironolactona (IC com FE reduzida, HAS, glaucoma). Estridor inspiratório, PA 76x42, FC 54 bpm. Manteve o quadro após 0,5 mg de adrenalina intramuscular.

    A) Glucagon.

    B) Atropina.

    C) Adrenalina.

    D) Dopamina.

    Comentário: Anafilaxia refratária à adrenalina em paciente em uso crônico de betabloqueador (propranolol) é o cenário clássico em que o betabloqueio impede a resposta à adrenalina — o glucagon age por via independente do receptor beta e é a conduta específica indicada nesse contexto.

  42. Questão 42Pediatria / Pneumologia
    B

    Lactente de 5 meses, prematuro de 32 semanas, com displasia broncopulmonar; coriza e tosse há 3 dias, piora progressiva do estado geral e dificuldade para mamar nas últimas 24h. FR 65, tiragem subcostal, sibilos e roncos, SpO₂ 90%.

    A) Oxigenoterapia e amoxicilina oral.

    B) Hidratação endovenosa e suporte ventilatório.

    C) Salbutamol inalatório e corticoide sistêmico.

    D) Fisioterapia respiratória e dexametasona intramuscular.

    Comentário: Bronquiolite viral aguda grave em lactente de risco (prematuridade, displasia broncopulmonar): manejo é essencialmente de suporte — oxigênio, hidratação (a dificuldade de mamar já indica risco de desidratação) e suporte ventilatório conforme necessário; broncodilatador e corticoide sistêmico não têm benefício comprovado na bronquiolite viral, e antibiótico não se justifica em quadro viral.

  43. Questão 43Ortopedia / Neurologia
    D

    Homem de 50 anos, pedreiro, lombociatalgia há 4 meses, hérnia discal L4-L5 na RM; antes do retorno para ver o resultado, desenvolveu perda de sensibilidade perineal, anestesia em sela e incontinência urinária.

    A) Antecipar o retorno ao ambulatório de especialidade.

    B) Indicar tratamento com corticoide epidural.

    C) Internar com prescrição de analgésicos associados a relaxantes musculares.

    D) Encaminhar ao serviço de emergência para avaliar indicação cirúrgica.

    Comentário: Anestesia em sela + incontinência urinária + perda de sensibilidade perineal é síndrome da cauda equina — emergência cirúrgica que exige avaliação e descompressão urgentes, não manejo ambulatorial conservador ou antecipação de consulta de rotina.

  44. Questão 44Obstetrícia / Infectologia
    C

    Gestante de 24 anos, 11 semanas, sorologia para toxoplasmose: IgG reagente e IgM não reagente.

    A) Susceptibilidade.

    B) Infecção aguda.

    C) Imunidade.

    D) Soroconversão recente.

    Comentário: IgG reagente com IgM não reagente indica infecção pregressa com imunidade já estabelecida — sem risco de toxoplasmose congênita nessa gestação.

  45. Questão 45Pediatria / Imunização
    D

    Pais de menino de 1 ano, receosos com a vacina tríplice viral após verem vídeos nas redes sociais associando-a ao transtorno do espectro autista (TEA); criança já teve reações leves a outras vacinas.

    A) Explicar que há baixa ocorrência de TEA em crianças vacinadas e encaminhar para atualização vacinal.

    B) Orientar sobre a importância das vacinas e reforçar a superioridade de seus benefícios em relação à possibilidade de TEA.

    C) Pesquisar sintomas preditores de TEA na criança e, em caso de resultado negativo, continuar o protocolo de vacinação segura.

    D) Acolher a preocupação dos familiares e fornecer informações sobre a ausência de associação entre TEA e vacinas.

    Comentário: A ciência já estabeleceu que não existe associação causal entre vacinas e TEA — não é uma questão de "benefício maior que o risco" (que pressuporia um risco real), e sim de desfazer, com acolhimento, uma informação falsa.

  46. Questão 46Cardiologia
    B

    Homem de 71 anos, tabagista, hipertenso, em uso de bloqueador de canal de cálcio; dor retroesternal em queimação há 1 hora, após refeição farta; hemodinamicamente estável, PA 160x90, FC 72 bpm.

    A) Indicar ecocardiograma transesofágico.

    B) Solicitar eletrocardiograma e marcadores de necrose miocárdica.

    C) Dosar D-dímero e realizar angiotomografia de tórax.

    D) Realizar endoscopia digestiva alta.

    Comentário: Diante de dor torácica com fatores de risco cardiovascular, a síndrome coronariana aguda deve ser excluída antes de qualquer outra hipótese (digestiva, embólica) — ECG e marcadores de necrose são o primeiro passo obrigatório.

  47. Questão 47Pediatria / Saúde Mental
    C

    Menina de 10 anos, perda de peso progressiva nos últimos 10 meses; após episódio de engasgo com carne, passou a recusar sólidos, com refeições prolongadas e vômitos, medo de "passar mal" em ambientes sociais/escola; sem preocupação com peso/forma corporal; sono, desempenho escolar e neurodesenvolvimento preservados; causas orgânicas excluídas. Escore Z de peso -3.

    A) Transtorno dismórfico corporal.

    B) Anorexia nervosa.

    C) Transtorno alimentar restritivo evitativo.

    D) Seletividade alimentar típica.

    Comentário: Restrição alimentar desencadeada por um evento aversivo específico (engasgo), sem preocupação com peso/forma corporal e com perda de peso significativa, é o quadro característico do transtorno alimentar restritivo evitativo (ARFID) — o que o diferencia da anorexia nervosa é justamente a ausência de medo de engordar/distorção de imagem corporal.

  48. Questão 48Ortopedia / Trauma
    D

    Homem de 32 anos, acidente motociclístico, consciente e estável; ferimento corto-contuso de 3 cm em região clavicular esquerda com exposição de fragmento ósseo; ausência de flexão do punho e dos dedos da mão esquerda, anestesia em região medial do antebraço; pulsos palpáveis. Ferimento já limpo.

    A) Imobilizar com curativo.

    B) Reduzir fratura da clavícula.

    C) Realizar tração do membro superior.

    D) Alinhar com tala moldável.

    Comentário: Fratura exposta com sinais de comprometimento neurológico (mas pulsos preservados): no local do acidente, a conduta é alinhamento e imobilização com tala moldável, sem tentar reduzir a fratura ou tracionar no campo — isso é feito no hospital, com imagem.

  49. Questão 49Ginecologia / Bioética
    C

    Mulher de 23 anos, G3P3, sem comorbidades, manifesta forte desejo de ser submetida à laqueadura tubária.

    A) Informar que a situação da paciente está em desacordo com os critérios legais pertinentes.

    B) Orientar que é necessária a autorização do cônjuge para a realização do procedimento.

    C) Oferecer à paciente informações a respeito de outros métodos anticoncepcionais.

    D) Encaminhar a paciente para a realização do procedimento em questão.

    Comentário: Pela Lei do Planejamento Familiar (9.263/96), com 3 filhos vivos ela já preenche o critério legal para laqueadura, mas a lei exige aconselhamento sobre outros métodos e um prazo mínimo antes do procedimento — não exige mais autorização do cônjuge, e não se trata de encaminhar direto ao procedimento sem esse passo de informação.

  50. Questão 50Saúde Coletiva / Oncologia
    B

    Homem de 34 anos, tabagista, sedentário, IMC 43, assintomático; pai diagnosticado com câncer de cólon aos 53 anos.

    A) Na consulta atual.

    B) A partir dos 43 anos.

    C) A partir dos 50 anos.

    D) Se a pesquisa de sangue oculto tiver resultado positivo.

    Comentário: Com parente de 1º grau diagnosticado com câncer colorretal antes dos 60 anos, o rastreio deve começar 10 anos antes da idade do diagnóstico do familiar (53-10=43) — não aos 50 anos (regra da população geral) nem na consulta atual, já que ele ainda não chegou a essa idade.

  51. Questão 51Toxicologia
    A

    Homem de 42 anos, na UTI por provável intoxicação exógena, encontrado desacordado com sialorreia intensa e broncoespasmo; bradicardia, hipoxemia, Glasgow 3, miose puntiforme, roncos/sibilos, secreção clara abundante nas vias aéreas, resíduo gástrico volumoso; iniciado suporte com atropina intravenosa contínua.

    A) Organofosforado.

    B) Benzodiazepínico.

    C) Sulfonilureia.

    D) Antidepressivo tricíclico.

    Comentário: Síndrome colinérgica clássica (sialorreia, broncorreia/broncoespasmo, miose, bradicardia) tratada com atropina é a apresentação típica de intoxicação por organofosforado.

  52. Questão 52Dermatologia / Pediatria
    B

    Menina de 4 anos, lesões avermelhadas com crostas amareladas em região periorbital, labial e nasal há 5 dias, iniciadas como pequenas bolhas que se romperam liberando líquido amarelado, com prurido; sem febre ou prostração.

    A) Celulite.

    B) Impetigo.

    C) Ectima.

    D) Herpes.

    Comentário: Vesículas que se rompem facilmente formando crostas amarelo-douradas ("melicéricas"), sem febre/toxemia, é o quadro típico de impetigo.

  53. Questão 53Pediatria / Neonatologia
    A

    Recém-nascido a termo, Apgar 9/9, USG morfológico com polidrâmnio; salivação excessiva após o nascimento; abdome escavado; sonda orogástrica não progride além de 10 cm; radiografia com contraste iodado mostra interrupção do trajeto da sonda.

    A) Esofágica.

    B) Gástrica.

    C) Duodenal.

    D) Intestinal.

    Comentário: Polidrâmnio + sialorreia + sonda que não progride + abdome escavado (sem ar no trato digestivo, sugerindo ausência de fístula traqueoesofágica distal) fecham o diagnóstico de atresia de esôfago.

  54. Questão 54Obstetrícia
    D

    Mulher G2P1, história prévia de prematuridade, USG de rotina: feto vivo, morfológico normal, colo uterino medindo 20 mm (colo curto).

    A) Indicar o uso de indometacina até 32 semanas de gestação.

    B) Prescrever nifedipina e manter até 30 semanas de gestação.

    C) Prescrever betametasona e repetir o exame em algumas semanas.

    D) Indicar progesterona natural e manter até 36 semanas de gestação.

    Comentário: Colo curto identificado em ultrassonografia de rotina, em paciente com história de prematuridade: a conduta recomendada é progesterona vaginal natural, mantida até cerca de 36 semanas, para reduzir o risco de parto pré-termo.

  55. Questão 55Endocrinologia / Neurologia
    C

    Homem de 74 anos, DM2 há 18 anos (metformina + insulina NPH basal), HbA1c estável em 6,5%; dor em queimação bilateral nos pés há 6 meses, predomínio noturno, parestesias em "bota"; hipoestesia tátil e vibratória distal simétrica, pulsos distais palpáveis, sem lesões cutâneas.

    A) Carbamazepina.

    B) Ibuprofeno.

    C) Amitriptilina.

    D) Tramadol e paracetamol.

    Comentário: Neuropatia diabética dolorosa: entre as opções, o antidepressivo tricíclico (amitriptilina) é a medicação de primeira linha para dor neuropática, ao lado de gabapentinoides e ISRSN — anti-inflamatório comum não tem papel nesse tipo de dor.

  56. Questão 56Saúde Coletiva / Epidemiologia
    A

    Estudo seleciona 50 pacientes com diagnóstico recente de HAS e 80 pacientes sem a doença, pareados por idade e sexo, da mesma UBS; por entrevistas e revisão de prontuários, coletam-se retrospectivamente dados de histórico familiar, atividade física e padrão alimentar dos últimos 5 anos.

    A) Caso-controle.

    B) Coorte.

    C) Ecológico.

    D) Série temporal.

    Comentário: A seleção dos grupos foi feita pelo desfecho (com HAS vs. sem HAS), e as exposições foram investigadas retrospectivamente — essa é a definição clássica de estudo caso-controle, mesmo que a investigação de exposição olhe para trás no tempo (o que às vezes é confundido com coorte retrospectiva, que seleciona por exposição, não por desfecho).

  57. Questão 57Saúde Mental / Saúde Indígena
    B

    Estudante de Psicologia de 22 anos, de origem Guarani Kaiowá, cometeu suicídio; a comunidade atribui o fato a um suposto enfeitiçamento que teria feito a jovem perder o discernimento. Equipe de saúde acionada para lidar com a situação.

    A) Participar ativamente dos rituais religiosos e de luto próprios da comunidade, para atuar com prontidão caso alguém apresente intenso sofrimento.

    B) Compreender a crença de enfeitiçamento, mas sem estimulá-la, acolhendo os membros da etnia e orientando sobre sinais de risco a serem observados.

    C) Acolher as famílias enlutadas, respeitando seus rituais funerários e evitando falar sobre suicídio, para não suscitar novas tentativas.

    D) Explicar, de maneira objetiva, o que são transtornos mentais e o que é transtorno depressivo maior, para evitar interpretações místicas do adoecimento.

    Comentário: Postvenção de suicídio culturalmente sensível: respeitar a cosmovisão da comunidade sem reforçá-la como explicação médica, acolher sem impor uma explicação biomédica alheia à cultura, e orientar ativamente sobre sinais de risco — evitar falar sobre suicídio (opção C) contraria a boa prática (conversar sobre o tema não aumenta o risco).

  58. Questão 58Gastroenterologia
    B

    Homem de 40 anos, etilista crônico, distensão abdominal há 2 dias, náuseas e vômitos, temperatura 38,2 °C; aranhas vasculares, abdome distendido com circulação colateral, piparote positivo (ascite), esplenomegalia.

    A) Solicitar hemocultura.

    B) Realizar paracentese.

    C) Prescrever antibioticoterapia empírica.

    D) Iniciar diurético poupador de potássio.

    Comentário: Cirrótico com ascite e febre: suspeita de peritonite bacteriana espontânea. A conduta imediata é a paracentese diagnóstica (contagem de neutrófilos e cultura do líquido ascítico), que confirma o diagnóstico e orienta a escolha do antibiótico — não o contrário.

  59. Questão 59Pediatria / Hematologia
    B

    Menino de 8 anos, febre persistente há 3 semanas, palidez progressiva, emagrecimento, petéquias em membros inferiores, dor em membros e astenia, hepatoesplenomegalia. Hemograma: leucócitos 2.500/mm³, hemoglobina 8,0 g/dL, plaquetas 30.000/mm³, neutrófilos 500/mm³, blastos 5% (VR 0%).

    A) Anemia aplásica.

    B) Leucemia linfoblástica aguda.

    C) Púrpura trombocitopênica imunológica.

    D) Calazar.

    Comentário: Pancitopenia com blastos circulantes (5%, anormal) associada a hepatoesplenomegalia, dor óssea e febre é o quadro característico de leucemia linfoblástica aguda — a presença de blastos é o achado-chave que afasta calazar (que cursa com pancitopenia e hepatoesplenomegalia, mas sem blastos) e as demais hipóteses (que não cursam com blastos nem pancitopenia trilinear tão completa).

  60. Questão 60Pediatria / Emergência
    D

    Criança de 5 anos, acidente automobilístico grave, rebaixamento do nível de consciência, respiração irregular, sinais de comprometimento respiratório, sem sangramento ativo externo; indicada obtenção de via aérea eficaz e definitiva.

    A) Língua proporcionalmente menor.

    B) Anel cricofaríngeo relativamente mais largo.

    C) Laringe mais baixa e anterior.

    D) Epiglote mais anteriorizada e rígida.

    Comentário: Comparada à do adulto, a via aérea pediátrica tem língua proporcionalmente maior (não menor), laringe mais cefálica/alta e anterior (não mais baixa) e cricoide relativamente mais estreito (não mais largo) — entre as opções, a que melhor descreve uma particularidade real da via aérea infantil é o posicionamento mais anteriorizado da epiglote, ainda que a descrição de rigidez varie entre referências.

  61. Questão 61Ginecologia
    B

    Mulher de 46 anos, assintomática, sem comorbidades, teste de DNA-HPV oncogênico positivo para HPV 51; citologia oncótica há 1 ano sem alterações.

    A) Repetir o teste de DNA-HPV oncogênico.

    B) Solicitar citologia reflexa.

    C) Encaminhar para colposcopia.

    D) Indicar vacina contra o HPV.

    Comentário: No rastreio primário por DNA-HPV, um resultado positivo para genótipo oncogênico que não seja 16/18 (como o HPV 51) é triado com citologia reflexa: se alterada, vai para colposcopia; se normal, repete-se o HPV em 1 ano — só HPV 16/18 positivo vai direto para colposcopia.

  62. Questão 62Saúde Coletiva
    B

    Novos indicadores de qualidade do cofinanciamento federal da APS no SUS (2025): o que é necessário garantir no cuidado à gestação e ao puerpério?

    A) Pelo menos um exame de ultrassonografia obstétrica durante a gestação.

    B) Os testes para sífilis, HIV e hepatites B e C no 1º trimestre da gestação.

    C) A primeira consulta de pré-natal antes da 20ª semana de gestação.

    D) Pelo menos quatro consultas médicas de pré-natal.

    Comentário: O indicador do novo componente de qualidade do Previne Brasil valoriza a testagem precoce (sífilis, HIV e hepatites B/C) já na primeira consulta do 1º trimestre, e não apenas o número de consultas.

  63. Questão 63Saúde Coletiva
    B

    Redução do ponto de corte da PA sistólica de 130 mmHg para 120 mmHg no diagnóstico de hipertensão arterial: o que se espera?

    A) Aumento na detecção de HA e redução na frequência de falsos positivos.

    B) Aumento na detecção de HA e aumento na frequência de falsos positivos.

    C) Redução na detecção de HA e redução na frequência de falsos positivos.

    D) Redução na detecção de HA e aumento na frequência de falsos positivos.

    Comentário: Baixar o ponto de corte aumenta a sensibilidade do critério diagnóstico: mais gente passa a ser rotulada hipertensa (mais detecção), mas também aumenta quem é rotulado sem realmente ter HA sustentada (mais falsos positivos).

  64. Questão 64Saúde Mental
    A

    Homem de 60 anos, esquizofrenia em acompanhamento no CAPS, retomou uso de álcool, isolamento social e dificuldades financeiras cuidando da mãe idosa. Quais pontos da RAPS, além do CAPS, são apropriados para articular o cuidado?

    A) Unidade de Pronto Atendimento; atenção primária à saúde; centros de convivência e cultura.

    B) SAMU; serviços residenciais terapêuticos; centro de orientação e aconselhamento.

    C) Unidade de acolhimento; CRAS; unidades ambulatoriais especializadas.

    D) Equipe de consultório na rua; NASF; serviço de atenção domiciliar.

    Comentário: A RAPS combina componentes de atenção básica (UBS/eSF, que sustenta o vínculo territorial e cuida da mãe idosa também), urgência (UPA) e reabilitação psicossocial (centros de convivência e cultura, essenciais contra o isolamento social).

  65. Questão 65Dermatologia
    B

    Homem de 30 anos, lesão pruriginosa na panturrilha há 3 semanas: placa anular de ~3 cm, bordas eritematosas elevadas e descamativas, com clareamento central.

    A) Cefalexina oral.

    B) Clotrimazol tópico.

    C) Hidrocortisona tópica.

    D) Ivermectina oral.

    Comentário: Quadro clássico de tinha do corpo (dermatofitose): lesão única, anular, com borda ativa e clareamento central. Tratamento de escolha é antifúngico tópico.

  66. Questão 66Pediatria
    C

    Menina de 2 anos, quadro catarral há 24h, crise convulsiva tônico-clônica generalizada de 2 min há 1h, sem crise prévia, Tax 38,7 °C, exame neurológico normal, sem sinais meníngeos. Conduta após antitérmico?

    A) Internar a paciente e coletar líquido cefalorraquidiano.

    B) Solicitar tomografia de crânio e indicar acompanhamento especializado.

    C) Orientar a família e indicar acompanhamento ambulatorial.

    D) Internar a paciente e realizar eletroencefalograma.

    Comentário: Crise febril simples (típica, curta, generalizada, exame neurológico normal): não há indicação de punção lombar, exame de imagem, EEG ou internação de rotina — só orientação familiar e seguimento ambulatorial.

  67. Questão 67Cirurgia / Trauma
    A

    Homem de 22 anos, atropelamento, fratura pélvica instável, FAST negativo para líquido livre abdominal, cinta pélvica aplicada com estabilização mecânica do anel pélvico. Mantendo-se hipotensão, qual a próxima conduta?

    A) Angiografia com embolização.

    B) Laparotomia exploradora.

    C) Estabilização cirúrgica do quadril.

    D) Tomografia de abdome e pelve.

    Comentário: Com FAST negativo (afastando sangramento intra-abdominal) e hipotensão persistente apesar da cinta pélvica bem aplicada, a fonte mais provável é sangramento arterial pélvico — indicação de angiografia com embolização (protocolo ATLS).

  68. Questão 68Ginecologia / Geriatria
    A

    Mulher de 72 anos, fratura de fêmur por queda da própria altura há 2 anos, HAS em uso de hidroclorotiazida, menopausa há 22 anos, densitometria de alto risco para fraturas, sem outras comorbidades. Protocolo clínico nacional de osteoporose: tratamento inicial?

    A) Bisfosfonato.

    B) Estrogênio conjugado.

    C) Teriparatida.

    D) Romosozumabe.

    Comentário: Pelo PCDT de osteoporose do Ministério da Saúde, o bisfosfonato (ex.: alendronato) é a primeira linha de tratamento farmacológico; agentes anabólicos (teriparatida, romosozumabe) e a terapia hormonal ficam reservados para situações específicas.

  69. Questão 69Saúde Mental / Violência
    B

    Mulher de 34 anos em relacionamento abusivo (violência psicológica, financeira e física recente), não deseja romper imediatamente por questões de segurança e financeiras. Conduta centrada na singularidade da pessoa assistida?

    A) Tratamento farmacológico, encaminhamento especializado e denúncia do parceiro à delegacia.

    B) Plano terapêutico com avaliação de risco junto à equipe multiprofissional, fortalecimento da rede de apoio e notificação à vigilância epidemiológica.

    C) Plano farmacológico, encaminhamento ao CAPS e solicitação de medida protetiva junto à defensoria.

    D) Acolhimento em casa-abrigo, sorologias para IST e notificação à rede psicossocial.

    Comentário: Respeitar a autonomia da paciente não significa deixar de agir: avaliação de risco compartilhada, fortalecimento de rede de apoio e notificação compulsória (obrigatória por lei, independentemente do desejo da paciente de denunciar o agressor) é a conduta que concilia segurança e singularidade.

  70. Questão 70Saúde da Família
    C

    Idosa diabética, locomoção reduzida, episódios de hipoglicemia por dificuldade de compreensão do esquema de insulina; mora com uma única filha, que trabalha o dia todo. Ação inicial da equipe?

    A) Realizar a aplicação diária da insulina na unidade de saúde.

    B) Solicitar internação em instituição de longa permanência.

    C) Realizar a articulação do cuidado com a comunidade.

    D) Substituir a insulina por hipoglicemiante oral.

    Comentário: Antes de institucionalizar ou criar uma rotina pouco factível (deslocar a paciente à UBS todo dia), o cuidado centrado na comunidade — rede de vizinhança, ACS, apoio familiar ampliado — é a resposta de menor restrição e mais sustentável.

  71. Questão 71Saúde Mental / Álcool e Drogas
    C

    Homem de 30 anos busca UBS para reduzir o consumo de crack, com padrão de uso em binge seguido de períodos de abstinência e recaída. Conduta inicial segundo recomendações atuais dos Ministérios da Saúde e da Justiça?

    A) Internação hospitalar com abstinência total.

    B) Encaminhamento a uma comunidade terapêutica.

    C) Ações voltadas à redução de danos.

    D) Prescrição de psicofármaco padronizado.

    Comentário: A política vigente do SUS para álcool e outras drogas tem a redução de danos como estratégia inicial e estruturante, e não a abstinência forçada, internação compulsória ou encaminhamento automático a comunidade terapêutica.

  72. Questão 72Clínica Médica / Infectologia
    B

    Adolescente de 15 anos com mialgia, mal-estar e cansaço há 1 semana, febre e odinofagia há 3 dias; amígdalas hiperemiadas com exsudato bilateral e linfonodo cervical posterior doloroso; após 24h afebril, surge exantema maculopapular em face e abdome.

    A) Amigdalite bacteriana.

    B) Infecção pelo vírus Epstein-Barr.

    C) Reação alérgica ao antitérmico.

    D) Rinofaringite.

    Comentário: Tríade clássica de mononucleose infecciosa: faringoamigdalite exsudativa, linfadenopatia cervical posterior e fadiga marcante, com exantema que costuma surgir nos dias seguintes.

  73. Questão 73Pediatria / Imunização
    B

    Lactente com síndrome nefrótica corticossensível, em dose imunossupressora de prednisolona há 5 semanas, calendário vacinal pendente de vacina viva (tetraviral) e atualmente assintomática.

    A) Adiar a vacinação até regularização completa do esquema.

    B) Adiar a aplicação da vacina até a suspensão do corticoide.

    C) Aplicar a vacina de hepatite A e as demais normalmente.

    D) Aplicar todas as vacinas indicadas para a faixa etária.

    Comentário: Vacinas de vírus vivo atenuado (como a tetraviral/varicela) são contraindicadas durante imunossupressão em dose alta; devem ser adiadas até a suspensão ou redução do corticoide para dose não imunossupressora. Leitura da foto ficou parcialmente ilegível — vale conferir contra o caderno original.

  74. Questão 74Urologia
    A

    Homem de 65 anos, piora de sintomas do trato urinário inferior (disúria, noctúria), próstata aumentada de consistência elástica e superfície lisa ao toque, PSA 6,5 ng/mL (VR até 4,0).

    A) PSA fração total e livre.

    B) Ultrassonografia transretal.

    C) Tomografia contrastada de pelve.

    D) Biópsia transretal de próstata.

    Comentário: Com toque sugestivo de hiperplasia benigna (consistência elástica, superfície lisa) e PSA discretamente elevado, a relação PSA livre/total ajuda a estratificar o risco de câncer antes de indicar biópsia.

  75. Questão 75Ginecologia
    C

    Mulher de 28 anos, ciclos regulares, dor em fossa ilíaca direita há 2 dias, sem febre ou sinais de irritação peritoneal. USG transvaginal: ovário direito com imagem cística central, parede espessada, ecos internos e vascularização periférica.

    A) Cisto paraovariano.

    B) Cisto folicular.

    C) Cisto hemorrágico.

    D) Cisto de corpo lúteo.

    Comentário: A presença de ecos internos dentro de um cisto com parede espessada e vascularização periférica (padrão "em teia"/"ring of fire" sem fluxo central) é a imagem típica do cisto hemorrágico de corpo lúteo, e não de um cisto simples.

  76. Questão 76Pediatria
    B

    Menino de 9 anos, seguimento de TDAH com prejuízo acadêmico e social significativo, ativo fisicamente e sem síncope; pai hipertenso, avó materna com IAM aos 68 anos; sem morte súbita familiar precoce, arritmia hereditária ou surdez congênita; exame físico normal.

    A) Investigar condições cardiológicas com exames complementares.

    B) Prescrever metilfenidato e monitorar sinais vitais.

    C) Repetir escalas de avaliação neuropsicológica.

    D) Instituir atomoxetina e orientar sobre eventos adversos.

    Comentário: Sem sinais de alerta cardiovascular (síncope, arritmia familiar, morte súbita precoce), não é necessário ECG/investigação cardiológica de rotina antes de iniciar estimulante — o metilfenidato segue sendo primeira linha, com monitorização clínica.

  77. Questão 77Saúde Coletiva / Desastres
    C

    Após as inundações de 2024 no RS, com contaminação hídrica persistente e famílias desalojadas, avaliando-se dados de 2025: etapa e ações da vigilância epidemiológica adequadas a esse momento.

    A) Manejo do desastre; decidir sobre as alternativas a serem adotadas.

    B) Mitigação; monitorar e controlar doenças transmissíveis.

    C) Recuperação; intensificar a detecção de doenças-sentinela e de surtos, e notificar.

    D) Redução de risco; identificar, mapear e apontar medidas de redução de morbimortalidade.

    Comentário: O intervalo entre o evento (2024) e a avaliação (dados de 2025) situa a ação na fase de recuperação, quando a vigilância deve intensificar a busca ativa de doenças-sentinela e surtos (ex.: leptospirose por contaminação hídrica residual) e garantir a notificação.

  78. Questão 78Clínica Médica / Geriatria
    A

    Homem de 74 anos, depressão maior e HAS, paroxetina há 1 ano e enalapril iniciado há 3 semanas, com tontura postural, letargia e confusão leve; PA 130x80 sentado e 115x75 em pé.

    A) Sódio.

    B) Potássio.

    C) Transaminases.

    D) Creatinina.

    Comentário: ISRS (paroxetina) é causa clássica de SIADH/hiponatremia em idosos, com letargia e confusão mental como manifestações; a dosagem de sódio é o exame prioritário diante desse quadro.

  79. Questão 79Pneumologia
    A

    Homem de 63 anos, perda de peso e tosse produtiva há 6 meses, cavitação em lobo superior direito, teste rápido molecular positivo para tuberculose, sem resistência à rifampicina detectada. Frequência de monitoramento após início do tratamento?

    A) Mensalmente até o término do tratamento.

    B) Quando houver sintomas respiratórios.

    C) No início e ao término do tratamento.

    D) Após 3 e 6 meses do início do tratamento.

    Comentário: O PCDT de tuberculose recomenda consulta e avaliação clínica mensal ao longo de todo o tratamento (com baciloscopia de controle nos meses definidos), não apenas nos extremos do tratamento.

  80. Questão 80Saúde Coletiva
    C

    Surto de hepatite A em crianças de uma ocupação habitacional sem rede de esgoto formal, com insegurança quanto à qualidade da água e transmissão ativa no território. Além da vacinação, próxima ação adequada?

    A) Instituir isolamento das crianças acometidas e de seus familiares.

    B) Organizar mutirões de limpeza coordenados pela equipe de saúde.

    C) Acionar a Vigilância Sanitária visando à melhoria do tratamento da água.

    D) Prescrever profilaxia medicamentosa com antivirais para todas as crianças.

    Comentário: Como a transmissão está ligada à qualidade da água/saneamento, a ação estruturante além da vacinação é acionar a Vigilância Sanitária para atacar a causa raiz do surto.

  81. Questão 81Cirurgia / Hepatologia
    D

    Homem de 62 anos, colecistectomia + CPRE por coledocolitíase há 3 semanas, retorna com febre, prostração e dor em hipocôndrio direito; leucocitose com desvio à esquerda (18.000/mm³, 12% bastões); TC de abdome superior sugestiva de abscesso hepático.

    A) Manter tratamento clínico com antibioticoterapia isolada.

    B) Solicitar sorologia específica para amebíase.

    C) Propor reabordagem cirúrgica e ampliar o esquema antibiótico.

    D) Encaminhar para drenagem percutânea guiada por imagem.

    Comentário: Abscesso hepático piogênico de tamanho relevante em paciente com colangite/manipulação biliar recente tem indicação de drenagem percutânea guiada por imagem associada a antibioticoterapia, reservando-se a cirurgia para casos refratários.

  82. Questão 82Ginecologia / Obstetrícia
    C

    Gestante de 34 anos, 24 semanas, bypass gástrico em Y de Roux há 5 anos, sem melhora com ferro elementar oral; Hb 6,9 g/dL, VCM 67 fL, ferritina 5 ng/mL, hemodinamicamente estável.

    A) Manter o ferro elementar e acrescentar ácido fólico.

    B) Aumentar a dose do ferro elementar e adicionar vitamina B12.

    C) Prescrever ferro parenteral.

    D) Transfundir concentrado de hemácias.

    Comentário: Anemia ferropriva grave sem resposta ao ferro oral em paciente com bypass gástrico (má absorção esperada) indica ferro parenteral; transfusão fica reservada a instabilidade hemodinâmica ou anemia sintomática grave, ausentes aqui.

  83. Questão 83Saúde Coletiva / Medicina de Família
    C

    Mulher de 48 anos com fibromialgia, sem resposta a diversos tratamentos, solicita prescrição de Cannabis medicinal na UBS.

    A) Prescrever, pois consta na relação nacional de medicamentos excepcionais do SUS.

    B) Solicitar autorização do Conselho Regional de Medicina para prescrever no SUS.

    C) Informar que faltam evidências que sustentem seu uso e sua prescrição no SUS.

    D) Comunicar que o uso e a prescrição no SUS dependem de autorização judicial.

    Comentário: Cannabis medicinal não integra o protocolo do SUS para fibromialgia nem tem evidência robusta consolidada para essa indicação — cabe ao médico informar isso à paciente, sem prescrever nem terceirizar a decisão a instâncias que não resolvem a lacuna de evidência.

  84. Questão 84Ginecologia / Adolescência
    D

    Adolescente de 16 anos, sozinha em consulta, sexualmente ativa há 3 semanas com namorado de idade semelhante, pede contraceptivo de longa duração e não quer que os pais saibam.

    A) Encaminhar a paciente para o serviço de ginecologia.

    B) Acionar o Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente.

    C) Comunicar os pais da paciente quanto ao desejo dela.

    D) Atender ao pedido feito pela paciente quanto à contracepção.

    Comentário: Adolescente com capacidade de discernimento tem direito a sigilo e autonomia para cuidado em saúde sexual e reprodutiva; relação consensual entre pares de idade semelhante não configura situação de risco que justifique quebra de sigilo ou acionamento do Conselho Tutelar.

  85. Questão 85Saúde Mental
    C

    Homem de 44 anos, esquizofrenia, em situação de rua, múltiplas internações prévias e má adesão ao CAPS, acolhido por equipe de consultório na rua.

    A) Administrar antipsicótico de longa duração e encaminhar à internação compulsória.

    B) Iniciar processo de curatela e recomendar internação compulsória.

    C) Acionar a rede de atenção psicossocial e articular o cuidado intersetorial.

    D) Resgatar vínculo familiar e promover institucionalização.

    Comentário: Para população em situação de rua com transtorno mental, a diretriz da Reforma Psiquiátrica é articulação em rede (CAPS, assistência social, consultório na rua) e cuidado intersetorial, evitando institucionalização ou medidas compulsórias como primeira resposta.

  86. Questão 86Clínica Médica / Infectologia
    D

    Homem de 42 anos, natural e residente do interior da Bahia, nunca viajou, sem etilismo; aumento progressivo do volume abdominal, circulação colateral, fígado de dimensões preservadas, esplenomegalia, veia porta calibrosa e ascite.

    A) Doppler de sistema portal.

    B) Paracentese diagnóstica.

    C) Sorologia para hepatites virais.

    D) Exame parasitológico.

    Comentário: Hipertensão porta pré-sinusoidal com fígado de tamanho preservado, em paciente de área endêmica no interior da Bahia, é o perfil clássico da esquistossomose hepatoesplênica — confirmação por exame parasitológico de fezes.

  87. Questão 87Pediatria / Adolescência
    A

    Adolescente de 15 anos revela em consulta a sós estar apaixonada por uma colega, teme a reação da família (que tem preconceito) e relata cortes na face interna das coxas para "diminuir o sofrimento"; pede sigilo total aos pais.

    A) Preservar sigilo sobre a orientação sexual e revelar aos pais os comportamentos autolesivos.

    B) Guardar sigilo tanto sobre a orientação sexual quanto sobre os comportamentos autolesivos.

    C) Revelar aos pais as informações referentes à orientação sexual e aos comportamentos autolesivos.

    D) Manter sigilo sobre os comportamentos autolesivos e revelar aos pais a orientação sexual.

    Comentário: Orientação sexual é informação protegida por sigilo, sem relação direta com risco à vida; já a automutilação é sinal de risco que justifica quebra pontual do sigilo para envolver a rede de apoio familiar e garantir segurança.

  88. Questão 88Medicina Legal
    B

    Homem de 32 anos, PVHIV, internado para tratamento de tuberculose com criptococose encefálica concomitante, evolui com derrame pleural volumoso, submetido a toracotomia por sangramento intenso por provável erosão/rotura aórtica, evoluindo a óbito intraoperatório.

    A) Hemorragia torácica, choque hipovolêmico, tuberculose, rotura aórtica.

    B) Choque hipovolêmico, rotura aórtica, tuberculose, criptococose encefálica, PVHIV.

    C) Choque hipovolêmico, criptococose encefálica, rotura aórtica, tuberculose, PVHIV.

    D) Rotura aórtica, choque hipovolêmico, tuberculose, criptococose encefálica, PVHIV.

    Comentário: A declaração de óbito segue da causa terminal (mecanismo imediato) até a causa básica: choque hipovolêmico (mecanismo de morte) → rotura aórtica (causa direta) → tuberculose (doença que levou à erosão vascular) → PVHIV, como causa básica/imunossupressão de base.

  89. Questão 89Ginecologia / Dermatologia
    C

    Mulher de 72 anos, diabética, lesão vulvar pruriginosa há 8 meses sem resposta a aciclovir nem corticoide tópico: placa arredondada de 3 cm, bordas discretamente elevadas, fundo hiperemiado e granulado, com depósitos esbranquiçados centrais.

    A) Esfregaço da lesão para coloração de Gram.

    B) Genotipagem de HPV.

    C) Biópsia da lesão.

    D) Vulvoscopia com ácido acético.

    Comentário: Lesão vulvar crônica, atípica e refratária ao tratamento empírico em mulher idosa/diabética exige biópsia para afastar neoplasia (carcinoma vulvar/VIN) ou dermatose específica — não dá para seguir só investigando por métodos indiretos.

  90. Questão 90Pneumologia
    A

    Agricultor de 65 anos, tabagista e etilista, febre e tosse com expectoração purulenta há 5 dias; PA 100x70, FC 84, FR 16, SpO₂ 96% em ar ambiente, estertores crepitantes em base pulmonar direita.

    A) Prescrever antibioticoterapia oral com reavaliação em 48 horas.

    B) Encaminhar ao pronto atendimento para radiografia de tórax.

    C) Realizar antibioticoterapia parenteral.

    D) Solicitar exames laboratoriais para diagnóstico etiológico.

    Comentário: Pneumonia adquirida na comunidade com critérios de baixo risco (CURB-65 baixo: sem confusão, FR normal, PA sem hipotensão significativa, apenas idade ≥65) pode ser tratada ambulatorialmente com antibiótico oral e reavaliação precoce.

  91. Questão 91Saúde Mental / Neurologia Infantil
    D

    Adolescente de 15 anos com espectro autista apresenta na escola agitação progressiva, vocalizações repetitivas e movimentos amplos dos membros, chega a cair ao chão; mantém olhos abertos e reage a estímulos, sem liberação esfincteriana, confusão ou sonolência pós-episódio.

    A) Crise epiléptica.

    B) Crise de ansiedade aguda.

    C) Crise conversiva.

    D) Crise de desregulação comportamental.

    Comentário: A preservação da consciência/reatividade ao ambiente durante o episódio e a ausência de período pós-ictal (confusão, sonolência, liberação esfincteriana) afastam crise epiléptica — o quadro é compatível com crise de desregulação comportamental, comum no espectro autista.

  92. Questão 92Pediatria / Infectologia
    C

    Lactente de 3 meses, tosse em crises há 15 dias (piora há 10), com vômitos, cianose, petéquias e rubor facial durante as crises; esquema vacinal incompleto (só ao nascimento).

    A) Bacterioscopia pelo Gram em amostra de nasofaringe.

    B) Hemograma com contagem de plaquetas.

    C) Reação em cadeia da polimerase (PCR) em amostra de swab de nasofaringe.

    D) Sorologia para toxina em amostra de sangue.

    Comentário: Quadro típico de coqueluche em lactente sub-imunizado (tosse paroxística, vômitos pós-tosse, cianose); a PCR de swab de nasofaringe é o método confirmatório de escolha, com maior sensibilidade nas fases iniciais.

  93. Questão 93Medicina Legal
    A

    Homem de 45 anos, colecistectomia laparoscópica eletiva, evolui com febre, dor abdominal difusa e taquicardia; médico atribui a quadro de recuperação normal e dá alta; retorno no 4º PO com piora, USG mostra líquido livre e reabordagem identifica fístula biliar.

    A) Negligência.

    B) Imprudência.

    C) Diligência.

    D) Omissão de socorro.

    Comentário: Deixar de investigar adequadamente sinais de alarme (febre, dor difusa, taquicardia) no pós-operatório, atribuindo-os precipitadamente à evolução esperada, configura negligência — falta do cuidado devido, e não uma ação de risco deliberada (que seria imprudência).

  94. Questão 94Ginecologia / Endocrinologia
    D

    Adolescente de 16 anos, amenorreia primária, telarca aos 10 anos e pubarca em seguida (desenvolvimento puberal normal), 1,68 m e 65 kg, genitália externa e distribuição pilosa femininas normais, hímen íntegro com orifício patente; toque vaginal não realizado.

    A) Síndrome de Turner.

    B) Insensibilidade androgênica.

    C) Amenorreia hipotalâmica.

    D) Anomalia mülleriana.

    Comentário: Desenvolvimento puberal normal (eixo hormonal funcionante) associado a amenorreia primária com genitália externa feminina normal aponta para uma anomalia anatômica dos ductos müllerianos (ex.: agenesia uterovaginal), e não a uma causa hormonal ou cromossômica.

  95. Questão 95Saúde Mental / Álcool e Drogas
    C

    Homem de 53 anos, viúvo há 2 anos após tentativa de assalto, consumo crescente de álcool (binge nos finais de semana), atrasos no trabalho, humor deprimido e sono fragmentado; sem sinais de abstinência aguda nem plano suicida.

    A) Diagnosticar abuso de álcool com o questionário CAGE e prescrever antidepressivo tricíclico.

    B) Usar abordagem de redução de danos e prescrever dissulfiram.

    C) Realizar intervenção breve e terapia multiprofissional na UBS.

    D) Encaminhar para internação hospitalar de curta duração, envolvendo a família.

    Comentário: Uso de risco/nocivo de álcool sem dependência grave estabelecida (sem abstinência, sem perda de controle diário) tem na intervenção breve associada a suporte multiprofissional na atenção primária a conduta inicial recomendada, reservando-se dissulfiram e internação para outros cenários.

  96. Questão 96Endocrinologia
    A

    Mulher de 38 anos, emagrecimento não intencional com apetite preservado, palpitações, PA 160x80, FC 132, exoftalmia, pele quente e úmida, alopecia; TSH 0,01 (↓) e T4 livre 4,2 (↑).

    A) Metimazol e propranolol.

    B) Propiltiouracil e amiodarona.

    C) Carbonato de lítio e propafenona.

    D) Iodo radioativo e procainamida.

    Comentário: Hipertireoidismo (Graves, dado a exoftalmia) com TSH suprimido e T4 livre elevado: tratamento inicial padrão é tionamida (metimazol) associada a betabloqueador (propranolol) para controle sintomático da taquicardia.

  97. Questão 97Pediatria / Oncologia
    B

    Criança de 3 anos, febre intermitente e perda de 2 kg em 2 meses, PA no percentil 95, equimoses periorbitárias bilaterais e massa firme em flanco direito que ultrapassa a linha média abdominal.

    A) Tumor de Wilms.

    B) Neuroblastoma.

    C) Rabdomiossarcoma.

    D) Linfoma de Burkitt.

    Comentário: Massa que ultrapassa a linha média associada a equimoses periorbitárias ("olhos de guaxinim", por metástase orbitária) é o padrão clássico do neuroblastoma — o tumor de Wilms, ao contrário, tipicamente não cruza a linha média e não causa esse sinal.

  98. Questão 98Pediatria / Cirurgia
    A

    Menina de 1 ano, abaulamento inguinal esquerdo redutível há 6 meses, conteúdo fibroelástico, pequeno.

    A) Indicar cirurgia eletiva.

    B) Encaminhar para cirurgia de urgência.

    C) Manter conduta expectante.

    D) Prescrever gonadotrofina coriônica.

    Comentário: Hérnia inguinal redutível em lactente não regride espontaneamente e tem risco de encarceramento — a conduta é correção cirúrgica eletiva, sem necessidade de urgência enquanto está redutível, mas também sem conduta apenas expectante.

  99. Questão 99Ginecologia / Obstetrícia
    D

    Gestante G3P1A1, 13 semanas, sangramento vaginal discreto há 3 dias, colo fechado, tipagem A negativo, parceiro com tipagem desconhecida; Coombs indireto positivo.

    A) Alertar a paciente sobre a inviabilidade da gestação.

    B) Realizar imunoglobulina anti-Rh.

    C) Solicitar tipagem sanguínea do parceiro.

    D) Encaminhar a paciente ao pré-natal de alto risco.

    Comentário: Coombs indireto positivo significa que a paciente já está sensibilizada (aloimunizada) — a imunoglobulina anti-Rh não tem mais efeito preventivo nesse cenário. A conduta passa a ser encaminhar para pré-natal de alto risco, com monitorização da doença hemolítica fetal.

  100. Questão 100Saúde Coletiva / Geriatria
    D

    Onda de calor; idosa de 72 anos, hipertensa, casa pequena e pouco ventilada, tontura, fraqueza, cefaleia pulsátil e oligúria; PA 100x60, FC 110, mucosas secas, Tax 38 °C; outros moradores da região com quadro semelhante. Estratégias individual e coletiva, respectivamente?

    A) Antitérmicos, antieméticos e resfriamento corporal; mobilizar agentes comunitários na orientação das famílias.

    B) Reposição hidroeletrolítica e encaminhamento ao pronto-socorro; notificar à Secretaria de Saúde para intervenções no território.

    C) Orientar aumento da ingestão hídrica em domicílio; reunião de equipe para organizar o fluxo assistencial.

    D) Reposição hídrica, resfriamento corporal e monitorização; vigilância ativa de idosos vulneráveis com ações intersetoriais.

    Comentário: No manejo individual do quadro de desidratação/exaustão pelo calor, hidratação, resfriamento e monitorização cobrem o essencial; na resposta coletiva, o padrão dos planos de contingência para ondas de calor é a vigilância ativa dos idosos mais vulneráveis do território com ações intersetoriais (defesa civil, assistência social, saúde), e não apenas notificação administrativa.

Fez a prova com outro caderno (outra cor)?

As 100 questões do Caderno 01 já estão resolvidas aqui. Se você fez a prova com um caderno de cor diferente, nos manda as fotos que a gente inclui a resolução dele também — e, assim que o INEP publicar o gabarito oficial, atualizamos esta página comparando com a nossa resolução.